
O protesto convocado por organizações de esquerda neste domingo (30) em São Paulo para se opor à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro foi um verdadeiro fiasco. O evento, liderado pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), tinha a expectativa de reunir mais de 20 mil pessoas, mas acabou atraindo apenas cerca de 6.600 manifestantes, segundo estimativa da Universidade de São Paulo (USP), com margem de erro de 12%. O número oficial da inteligência da Polícia Civil foi ainda menor: apenas 5 mil pessoas.
A manifestação, que também pedia a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou a falta de capacidade da esquerda de mobilizar massas em um momento no qual o governo enfrenta uma sucessão de crises, incluindo alta do desemprego, inflação crescente e juros elevados. O desgaste do discurso e a hipocrisia entre o que pregam e o que praticam parecem ter afastado até mesmo os militantes mais fiéis.
A tentativa de criar uma contraofensiva ao ato realizado pelos conservadores duas semanas antes, em Copacabana, que pedia anistia aos condenados do 8 de janeiro, serviu apenas para escancarar a diferença de força entre os movimentos. Enquanto Bolsonaro conseguiu atrair multidão para as ruas, com estimativas que variam de 18,3 mil (USP) a impressionantes 400 mil (segundo a PMERJ), a esquerda mal conseguiu reunir um pequeno grupo de militantes desmotivados em São Paulo.
Apesar do fracasso evidente, Boulos tentou apresentar a manifestação como um sucesso antes mesmo da divulgação das estimativas, ignorando a frustração dos organizadores e a baixa adesão de setores que historicamente apoiam a esquerda.
Bolsonaro réu, mas fortalecido
O protesto aconteceu em um momento em que Bolsonaro e outros aliados foram tornados réus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusações de tentativa de golpe. Entre os denunciados estão figuras como Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, e o general Braga Netto. A decisão do STF coloca o ex-presidente no centro de um julgamento histórico, mas até o momento, em vez de enfraquecê-lo, apenas tem mobilizado seus apoiadores.
Com um governo desgastado e sem apoio popular significativo, a esquerda continua a enfrentar dificuldades em retomar seu protagonismo político. O fracasso deste protesto é apenas mais um sintoma do seu crescente distanciamento da realidade do povo brasileiro.
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