
A Justiça do Piauí está tomando medidas drásticas no caso do promotor Maurício Verdejo, envolvido em uma série de acusações de corrupção. Em um movimento que evidencia a determinação do judiciário em combater a corrupção dentro de suas próprias fileiras, o Tribunal de Justiça do Estado ordenou o uso de tornozeleira eletrônica para o promotor, além do bloqueio de seus bens e valores. A nova etapa da Operação Iscariotes, deflagrada nesta quinta-feira (15), é mais um capítulo na investigação que já havia trazido à tona graves acusações contra Verdejo.
Na ação mais recente, a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Piauí, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Teresina e um em Picos. O assessor do promotor também foi alvo da operação, evidenciando que o esquema de corrupção pode envolver outras figuras dentro do círculo de confiança de Verdejo.
O promotor Maurício Verdejo é acusado de concussão, crime que consiste em exigir vantagem indevida em razão da função pública. Ele teria cobrado R$ 3 milhões do empresário Junno Pinheiro Campos Sousa para arquivar uma investigação (veja vídeo abaixo). A denúncia partiu do próprio empresário, que relatou ter sido abordado por Verdejo em um restaurante, onde o promotor exigiu o pagamento. Junno Pinheiro também revelou em depoimento que Verdejo teria alegado ter "apoio e muita força" dentro do Poder Judiciário, sugerindo que qualquer recurso contra suas ações "pararia" em um juiz ou desembargador aliado.
Um dos elementos mais comprometedores da investigação é um vídeo que registra o momento em que o empresário entrega uma bolsa de dinheiro ao promotor Maurício Verdejo. As imagens, capturadas em um condomínio de luxo em Teresina, mostram o empresário descendo de seu carro, uma SW4 preta, e entregando a bolsa ao promotor, que em seguida entra na casa com ele. Essa prova visual adiciona um peso significativo às acusações e coloca Verdejo em uma posição ainda mais vulnerável diante da Justiça.
A operação de hoje é a continuação de uma série de ações que começaram em 7 de agosto, quando a Polícia Federal realizou a primeira fase da Operação Iscariotes e apreendeu aproximadamente R$ 900 mil em espécie na residência de Verdejo. A Justiça do Piauí, em um esforço para demonstrar transparência e integridade, não está poupando esforços para garantir que o caso seja investigado a fundo e que todos os envolvidos sejam responsabilizados.
O corte "na própria carne" da Justiça do Piauí, ao impor medidas severas contra um de seus próprios promotores, marca um ponto de inflexão no combate à corrupção dentro das instituições do Estado. A continuidade das investigações e a eventual punição dos responsáveis poderão estabelecer um novo precedente na luta contra práticas ilícitas em cargos públicos.
Confira o vídeo comprometedor de Verdejo:
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