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Lula ajusta discurso para conquistar conservadores com apelo religioso e segurança pública

m sua tentativa de aproximar-se de eleitores mais conservadores, presidente Lula reza Pai Nosso e condena furtos de celular, buscando reverter críticas e fortalecer imagem para 2026

21/03/2025 às 11h12
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações O Globo
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Lula reza com o arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, em evento de inauguração de barragem no RN - Foto: Agência O Globo
Lula reza com o arcebispo emérito de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, em evento de inauguração de barragem no RN - Foto: Agência O Globo

Em tempos de pré-candidatura, até mesmo ateus começam a se declarar fiéis, na tentativa de angariar votos dos mais incautos. Esse fenômeno não é novo na história da República Brasileira. Após décadas de discursos que, por vezes, minimizavam crimes como o roubo de celular, com frases do tipo "o jovem rouba celular apenas para tomar uma cervejinha no final de semana", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar ajustando seu discurso já com a mente voltada para 2026.

Discurso ultrapassado e a volta do "Lulinha Paz e Amor"

Lula, que no passado já havia declarado que os discursos sobre "pátria, Deus e família eram ultrapassados", agora se volta para a religião e a segurança pública, a fim de reconquistar segmentos conservadores. Recentemente, ele fez um gesto simbólico ao pedir que rezassem um Pai Nosso durante um evento no Rio Grande do Norte, ao lado do arcebispo emérito Dom Jaime Vieira Rocha. Mais tarde, no Ceará, Lula fez questão de destacar que não permitirá que o Brasil se transforme em uma "república de ladrão de celular". Esse discurso, que se aproxima das preocupações mais atuais da população, também reflete a estratégia do marketeiro Sidônio Palmeira, que tenta reviver a famosa "Lulinha Paz e Amor", criada por Duda Mendonça na década de 2000.

Mudança radical no discurso

Embora o modelo tenha sido eficaz em campanhas passadas, a questão agora é saber se essa estratégia vai funcionar novamente, especialmente após declarações recentes de Lula em defesa de criminosos e em um tom mais progressista, que se distanciam dessa nova postura. Afinal, como um presidente pode mudar de opinião de forma tão drástica, como se trocasse de roupa? Não seria isso algo que soaria falso, especialmente em tempos de redes sociais, onde discursos passados podem ser facilmente resgatados? O povo até pode perdoar um pecador ou até um mentiroso, mas tem aversão a discursos que beiram ao cinismo.

A questão da segurança pública

A virada de Lula pode estar relacionada a um ponto crucial: a segurança pública. Pesquisa após pesquisa tem apontado que os brasileiros estão cada vez mais preocupados com a violência, especialmente com furtos e roubos de celulares, que afetam todas as camadas sociais. O celular, que é essencial tanto para o trabalho quanto para o lazer, se tornou um bem valioso e alvo de crimes, o que é um problema constante no país.

Lula tem se esforçado para mostrar que está atento a essas preocupações, inclusive utilizando a cerimônia de inauguração de um Hospital Universitário no Ceará para mudar seu tom em relação à segurança, ao afirmar que "o Estado é mais forte que bandido" e que "lugar de bandido não é na rua". Ele também tem defendido a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, elaborada pelo Ministério da Justiça, e reforçado o papel da Polícia Federal no combate ao crime organizado.

Lugar de bandido é na cadeia

Além disso, ao contrário de discursos anteriores que minimizavam certos tipos de violência, o governo Lula agora está mais claro em afirmar que quem rouba precisa ser punido, independentemente de sua classe social. Essa mudança na forma de tratar a questão da segurança foi reconhecida pelo deputado Jilmar Tato, Secretário Nacional de Comunicação do PT, que afirmou que o governo está adotando uma postura mais rigorosa, com ênfase em que criminosos devem pagar por seus crimes.

O efeito Frei Gilson

No entanto, o gesto de Lula ao lado de um líder religioso, especialmente após a crescente polarização política envolvendo figuras como o frade católico Frei Gilson, que foi alvo de críticas por seus posicionamentos conservadores, também teve um forte componente político. Lula, que se dirigiu ao Rio Grande do Norte para a inauguração de uma barragem, usou a oportunidade para reforçar sua imagem religiosa, pedindo um Pai Nosso ao arcebispo e mencionando a Deus durante o evento. Embora auxiliares do presidente neguem que esse gesto tenha sido premeditado, ele certamente fez parte de um esforço para se aproximar de segmentos religiosos e conservadores.

Com a proximidade das eleições de 2026, é claro que a estratégia de Lula está sendo ajustada para enfrentar os desafios políticos e as críticas que surgem, principalmente nas redes sociais. Agora, mais do que nunca, o presidente busca equilibrar seus discursos para agradar a uma base eleitoral mais ampla, sem perder o apoio dos segmentos mais progressistas, mas tentando também conquistar os votos dos conservadores que têm se distanciado de sua imagem ao longo do tempo.

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