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Morre Rui Xavier, jornalista que marcou a cobertura política no Brasil

Profissional faleceu aos 79 anos e ficou conhecido por sua firmeza no jornalismo político

03/03/2025 às 14h01 Atualizada em 04/03/2025 às 09h13
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O jornalista Rui Xavier faleceu na madrugada do último sábado (1º), aos 79 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o dia 20 de fevereiro para tratamento de um câncer de pulmão. Com uma carreira marcada pela cobertura política e econômica, Xavier passou por veículos como Estadão, Jornal do Brasil, O Dia, Gazeta Mercantil, Veja e Exame.

Um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória ocorreu em 1994, quando, como editor de Política do Estadão, participou do programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante uma entrevista com o então governador de São Paulo, Orestes Quércia, sua pergunta sobre o enriquecimento do político gerou um dos debates mais marcantes da história do programa. O episódio, que rendeu reações exaltadas de Quércia, acumula mais de um milhão de visualizações no canal oficial do Roda Viva no YouTube e é frequentemente relembrado nas redes sociais.

Nascido em 1945, Rui Xavier viveu intensamente a história política do Brasil. Durante a ditadura militar, foi preso por dois anos, entre 1969 e 1971. Além de seu trabalho na imprensa, era conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e um de seus maiores entusiastas. Ele deixa duas filhas, cinco netos e o legado de uma carreira dedicada ao jornalismo combativo.

Na cerimônia de despedida realizada na sede da ABI, no Rio de Janeiro, amigos e familiares prestaram homenagens. Sua filha, Carol Xavier, destacou a personalidade otimista e acolhedora do pai: “Ele foi capaz de passar por momentos difíceis e sempre encontrar formas lúdicas e divertidas de enxergar a vida”. O corpo foi cremado no domingo (2), em uma cerimônia restrita à família.

Colegas de redação também lembraram de Rui Xavier como um profissional apaixonado pelo jornalismo e pelo samba. “Era um otimista, sempre vibrava com a notícia e incentivava seus repórteres a buscar o melhor furo de reportagem”, disse Vera Rosa, repórter especial do Estadão em Brasília. O jornalista Pedro Cafardo destacou seu bom humor e seu rigor na apuração dos fatos. “Ele morreu durante o carnaval, e isso tem um simbolismo especial, porque amava o samba e a leveza da vida”, afirmou.

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