
Nos últimos 20 anos, a paranaense Gleisi Hoffmann protagonizou momentos marcantes na política brasileira - muitos deles constrangedores para ela e para o Partido dos Trabalhadores. Agora, prestes a assumir a Secretaria de Relações Institucionais no governo Lula 3, sua nomeação provoca reações intensas, gerando críticas de todos os lados, inclusive dentro do próprio governo.
Mas quem é, afinal, Gleisi Hoffmann? Ex-líder estudantil, advogada e política de trajetória polêmica, foi senadora, ministra da Casa Civil no governo Dilma e atualmente ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados, além da presidência nacional do PT. Sua passagem pela política, porém, não se resume a cargos: ela e seu ex-marido, Paulo Bernardo, foram implicados na Operação Lava Jato, acusados de envolvimento em esquemas de propina ligados à Odebrecht. Seu nome apareceu na lista da empreiteira sob o apelido de "Amante".
Agora, a grande questão é: Gleisi tem prestígio e influência para comandar a articulação política do governo? Seu perfil é conciliador ou confrontador? Ela agrega ou afasta aliados?
A escolha da deputada para uma das funções mais estratégicas do governo causou espanto. No momento em que Lula enfrenta um Congresso hostil e uma base cada vez mais instável, esperava-se um nome capaz de dialogar com o Centrão e apaziguar ânimos. Mas Gleisi carrega um histórico de embates e discursos agressivos que geram resistência até mesmo entre aliados. Seu nome é considerado indigerível pelo chamado "baixo clero", grupo essencial para garantir a governabilidade.
A reação do mercado foi imediata: o dólar disparou para R$ 5,91, a Bolsa caiu e investidores reforçaram a desconfiança sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. Gleisi tem um histórico de críticas às políticas de ajuste fiscal, o que levanta temores de que sua chegada represente um novo ciclo de gastos descontrolados e afaste ainda mais o governo do equilíbrio econômico.
Ministros e parlamentares do Centrão avaliam que a nomeação de Gleisi não fortalece a articulação política, mas a restringe. Eles enxergam a escolha como um movimento de Lula para blindar o PT, isolando-se ainda mais em um momento crítico. Nos bastidores, especula-se que a nomeação foi mais uma manobra para resolver disputas internas no partido do que um esforço real para ampliar a base de apoio no Congresso.
Resta saber se Lula, já desgastado pelas sucessivas crises e pela crescente insatisfação popular, conseguirá sustentar essa aposta. Será Gleisi Hoffmann a peça que trará estabilidade ao governo ou a faísca que acelerará seu desgaste? O governo, que já faz água, pode ter dado um passo decisivo para seu próprio naufrágio.
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