
Operação Cerco Fechado: o governo finalmente acordou para o crime organizado ou foi só um soluço?
Após anos de avanço do crime organizado no Piauí, a Operação Cerco Fechado surge como uma resposta tardia, mas contundente. Com mais de 190 prisões e R$ 784 mil em bens e dinheiro sujo apreendidos, o governo de Rafael Fonteles tenta mostrar força no combate ao narcotráfico e às facções. Mas será que essa ofensiva vai além de um espetáculo momentâneo? O cerco realmente se fechou ou foi só uma tranca temporária que logo será arrombada?
Na última quinta-feira (27), a Polícia Civil do Piauí realizou o chamado "Dia D" da operação, cumprindo 160 mandados de prisão e 243 de busca e apreensão em 49 cidades do Estado. Entre os alvos estavam criminosos envolvidos em furtos, roubos, tráfico de drogas, homicídios, estupros e violência doméstica. Os números impressionam, mas a pergunta que fica é: o governo vai manter esse ritmo ou logo voltará à sua inércia habitual?
Destaque para Teresina, Parnaíba e Piripiri, onde a criminalidade cresce a olhos vistos. Só na capital, a operação mirou a Grande Santa Maria da Codipi, área dominada pelo tráfico, onde facções sequestram, torturam e matam. Tudo documentado em fotos e vídeos. No total, foram retiradas de circulação 29 armas de fogo, 50 veículos e 97 celulares, além do dinheiro sujo que financiava a violência.
Mas enquanto a polícia faz seu trabalho, a política de segurança do Estado segue com interrogações. As facções já fincaram raízes no interior, e a pergunta que não cala é: essa ação vai se expandir ou o crime voltará a operar livremente assim que os holofotes se apagarem?
No Dirceu I, zona Sudeste da capital, trailers usados como pontos de tráfico e receptação foram interditados pela segunda vez. Mas até quando ficarão fechados? A reincidência deixa claro que prender sem garantir punição efetiva é só enxugar gelo.
A operação foi um golpe contra o crime, mas está longe de ser um xeque-mate. Se o governo quiser, de fato, virar esse jogo, precisará de muito mais do que uma grande ação pontual. Do contrário, os criminosos logo voltarão a agir e essa ofensiva será apenas mais um capítulo de um ciclo interminável de repressão ineficaz e impunidade garantida.
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