
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez uma declaração imprecisa sobre a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) durante uma audiência da Corte na última quinta-feira (27). Em mensagem em vídeo, ele afirmou que a entidade surgiu para defender a democracia, uma informação que não condiz com os fatos históricos.
Moraes destacou que, há 73 anos, em 27 de fevereiro de 1952, ocorreu a primeira reunião da ONU em sua sede permanente, em Nova York. Segundo ele, a organização foi fundada com o propósito de combater o fascismo, o nazismo e o imperialismo, além de defender a democracia e os direitos humanos. “Hoje, [a ONU] abriga 193 Estados-membros e dois observadores, que permanecem com o mesmo ideário de criação da organização e de instalação da sua casa própria”, declarou o ministro, lendo um texto em tom enfático.
No entanto, a ONU foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo principal de evitar novos conflitos globais. Seus membros fundadores incluíam países que eram ditaduras na época, como a União Soviética, a China e a Arábia Saudita. Por essa razão, o termo “democracia” sequer aparece na Carta de fundação da ONU, documento que estabelece os princípios da entidade.
Outro ponto controverso da fala de Moraes foi a menção à luta contra o imperialismo “presencial e virtual”. O conceito de “mundo virtual” só surgiu com o advento da internet, em 1969, tornando essa associação anacrônica. As declarações do ministro geraram debate sobre a interpretação histórica da criação da ONU e seu papel ao longo das décadas.
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