
A Interpol retirou o nome do jornalista Allan dos Santos, do canal Terça Livre, da difusão vermelha após não receber provas concretas dos crimes que justificariam a medida. O processo, que estava sob sigilo, foi aberto na última sexta-feira (21) e revelou que o pedido de exclusão havia sido aceito em outubro de 2024, mas só agora veio a público. O ministro Alexandre de Moraes imputava ao jornalista os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Desde 2022, a Interpol solicitava esclarecimentos ao Brasil sobre as acusações contra Allan dos Santos. O órgão pediu informações detalhadas sobre os supostos crimes, incluindo a natureza das infrações, a participação do jornalista e provas que demonstrassem seu envolvimento. No entanto, as respostas enviadas não atenderam aos requisitos exigidos, o que impediu a publicação da Notícia Vermelha contra ele. O Departamento de Estado dos Estados Unidos também questionou as autoridades brasileiras antes de considerar um pedido de extradição.
Diante da falta de comprovação, a defesa do jornalista protocolou um recurso diretamente na Interpol, questionando sua inclusão na lista de procurados. A Comissão de Controle dos Arquivos da Interpol (CCF), com sede em Lyon, na França, analisou o pedido e decidiu remover as informações de Allan dos Santos do sistema. Em ofício de 25 de outubro de 2024, a organização confirmou que ele não estava mais sujeito a qualquer aviso ou difusão internacional.
O advogado Renor Oliver Filho afirmou que o próximo passo será levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a revogação da prisão do jornalista e o desbloqueio do canal Terça Livre. A defesa argumenta que a investigação representa uma perseguição política, violando direitos processuais, a ampla defesa e as liberdades de expressão e imprensa.
Segundo os advogados, as medidas impostas contra Allan dos Santos ferem princípios da Constituição brasileira e tratados internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto de San José da Costa Rica. O caso evidencia questionamentos sobre a legalidade das ações adotadas pela Justiça brasileira em processos envolvendo figuras públicas e a liberdade de imprensa no país.
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