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Números em queda, facções em ascensão: o paradoxo da segurança no Piauí

Apesar da redução de homicídios, domínio do crime organizado avança no Estado

19/02/2025 às 15h31 Atualizada em 19/02/2025 às 15h41
Por: Douglas Ferreira
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Mário Sarrubbo destaca o trabalho de integração do Estado do Piauí no combate às facções criminosas - Foto: Reprodução
Mário Sarrubbo destaca o trabalho de integração do Estado do Piauí no combate às facções criminosas - Foto: Reprodução

Os números da segurança pública no Piauí apontam uma queda expressiva nos homicídios nos últimos anos, mas a realidade das ruas apresenta um cenário preocupante: o avanço das facções criminosas. Antes dominado por duas grandes organizações, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), o Estado agora vê seu território disputado por pelo menos seis facções, incluindo o Bonde dos 40, que já controla áreas na capital e no interior.

Na periferia de Teresina, o domínio das facções é visível. Muros marcados com siglas criminosas delimitam zonas de controle, enquanto o tráfico de drogas impulsiona a violência. Apesar disso, o Piauí tem sido citado pelo governo federal como referência no combate ao crime organizado. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, elogia o Estado pela integração de forças policiais e uso de tecnologia.

Os dados da Secretaria de Segurança Pública mostram uma redução de homicídios: foram 573 casos em 2024, uma queda de 11,71% em relação a 2023 e de 21,4% em comparação a 2022. Além disso, o Piauí se destacou nacionalmente com projetos de rastreamento de celulares roubados e sistemas de inteligência policial.

Para Sarrubbo, a chave está na cooperação interestadual e no uso da tecnologia. “A questão das facções criminosas não é um problema apenas do Brasil, mas de toda a América Latina. Precisamos enfrentar isso com integração e tecnologia. O Piauí tem sido um exemplo nesses projetos, e agora, com a adoção de câmeras corporais, o avanço será ainda maior”, afirmou.

No entanto, fica o questionamento: os números refletem uma segurança real para a população ou apenas mascaram um problema crescente? Se as facções continuam a expandir sua influência, até que ponto as estatísticas podem servir como termômetro confiável da criminalidade?

Fato é que o cidadão já não consegue ir e vir na capital com segurança. Muitos saem de casa para trabalhar sem a certeza de que vão voltar sãos e salvos. No final do ano passado, um sargento da PM foi vítima de uma ação criminosa às 5h da madrugada, quando saiu de casa para ir à padaria. Prova de que, organizados, faccionados ou apenas reunidos em grupo, os criminosos agem livremente pela periferia da capital, sem respeitar sequer a autoridade policial.

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