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Política UTOPIA NOCIVA

A nostalgia comunista e a desconexão com a realidade

Velhos discursos, velhos rostos e uma ideologia que insiste em ignorar o fracasso

16/02/2025 às 20h08 Atualizada em 16/02/2025 às 21h10
Por: Douglas Ferreira
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Um país com os problemas estruturais como o Brasil ainda não pode sequer pensar num escala de trabalho diferenciada - Foto: Reprodução
Um país com os problemas estruturais como o Brasil ainda não pode sequer pensar num escala de trabalho diferenciada - Foto: Reprodução

A convite do meu filho, Victor Hugo Moreno, de apenas seis anos, passei uma agradável tarde de domingo no Parque da Cidadania, um dos espaços mais aprazíveis da nossa capital. Por mais de três horas pudemos pedalar, caminhar, correr, brincar. O passeio, no entanto, foi interrompido por uma cena tão anacrônica quanto cômica: um pequeno grupo de militantes comunistas fazendo um ato público, com direito a amplificador de som e distribuição de panfletos exaltando as supostas benesses do comunismo. Isso mesmo, comunismo, em pleno século XXI.

O material distribuído pelo PSTU defendia, entre outras coisas, o fim da jornada de trabalho 6x1 e sua substituição pelo modelo 4x3 – quatro dias de trabalho e três de descanso. Segundo o panfleto, essa medida ajudaria a combater o desemprego e a precarização do trabalho no Brasil. Mas o que mais chamava atenção, além da proposta irrealista, eram os rostos dos militantes à frente da manifestação. Nos últimos 40 anos – tempo que tenho de jornalismo –, tudo mudou no mundo, exceto os rostos e o discurso cansado daqueles que insistem em pregar a "ditadura do proletariado".

Uma ideologia fossilizada

O panfleto continha dados que, embora verdadeiros, eram usados de maneira oportunista para justificar a falência do capitalismo – e, claro, apontar o comunismo como a solução mágica. Em um trecho, denunciava que "dois terços da força de trabalho no Brasil está desempregada" e que "as vagas criadas pelo governo Lula são precárias, com baixos salários e escalas abusivas". Mais adiante, culpava o capitalismo pela alta da inflação e pelo aumento dos preços dos alimentos, citando, por exemplo, a disparada de 50% no valor do café.

Ora, o Brasil tem, de fato, problemas estruturais sérios, mas será que o modelo comunista resolveria alguma dessas questões? Basta olhar para os países que adotaram essa ideologia para ter a resposta. O que há de comum entre Venezuela, Cuba e Coreia do Norte? Escassez, repressão política e a destruição do tecido econômico e social.

E quanto à jornada 4x3? Nem mesmo países de primeiro mundo, com economias sólidas e corrupção mínima, adotam esse modelo em larga escala. Mas, para os militantes do PSTU, um país que já sofre para gerar empregos e equilibrar suas contas públicas deveria abraçar essa utopia sem qualquer questionamento.

O comunismo de boutique e a realidade que ninguém quer ver

O mais curioso é que quase ninguém no Parque da Cidadania se deu ao trabalho de parar e ler ou ouvir o discurso desses militantes. E a razão para isso é simples: o comunismo, além de ultrapassado, não desperta mais interesse porque o Brasil já conhece bem seus efeitos destrutivos, ainda que não tenha sido um país oficialmente comunista. Nossa carga tributária elevada, burocracia sufocante e intervencionismo estatal são resquícios dessa mentalidade coletivista que emperra o crescimento.

Resta a pergunta: quantos dos líderes do PSTU realmente conhecem um país comunista? Quantos deles já pisaram em Cuba, na Coreia do Norte ou em regiões pobres da China para ver de perto o que significa viver sob um regime de partido único, sem liberdade de expressão, sem direito à propriedade privada e com o Estado controlando todos os aspectos da vida?

Conclusão: utopia para uns, tragédia para outros

O discurso da revolta contra o "imperialismo estadunidense" e do sonho de uma sociedade sem patrões pode até parecer romântico para alguns, mas a realidade nos prova diariamente que, onde o comunismo foi aplicado, ele fracassou.

A luta do Brasil hoje não é contra o capitalismo, mas contra os obstáculos que impedem seu funcionamento adequado: impostos abusivos, gastos públicos descontrolados, insegurança jurídica e um governo que, em vez de facilitar a vida de quem quer empreender e trabalhar, prefere adotar discursos populistas que apenas aprofundam nossas crises.

Se ainda há quem queira pregar a utopia comunista, o melhor é não conferir de perto a tragédia que essa ideologia provocou na América Latina, especialmente na Venezuela e em Cuba. Sobre Cuba, tenho autoridade para falar, pois fiz questão de visitá-la duas vezes. O que vi foi a triste realidade de um país que já foi próspero e desenvolvido, mas que hoje se tornou uma prisão a céu aberto, onde os cidadãos não têm sequer o direito de se expressar ou de ir e vir.

Portanto, acredite, a realidade pode ser dura demais para quem insiste em viver no passado.

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