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Política ESQUERDA PREOCUPADA

Hugo Motta nega golpe de 8 de Janeiro e sinaliza possível anistia

Presidente da Câmara minimiza ataques às sedes dos Três Poderes e defende revisão das penas dos condenados

08/02/2025 às 09h37 Atualizada em 09/02/2025 às 12h13
Por: Wagner Albuquerque
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Motta: “Foi uma agressão às instituições inimaginável. Agora, querer dizer que foi um golpe...” - Reprodução/ARAPUAN FM
Motta: “Foi uma agressão às instituições inimaginável. Agora, querer dizer que foi um golpe...” - Reprodução/ARAPUAN FM

Seis dias após assumir a presidência da Câmara dos Deputados e prometer defender a democracia, Hugo Motta (Republicanos-PB) declarou que não considera os ataques de 8 de janeiro de 2023 uma tentativa de golpe. Em entrevista a uma rádio da Paraíba, o parlamentar afirmou que os bolsonaristas que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes eram apenas “vândalos” e sugeriu penas mais brandas para os envolvidos, o que pode abrir caminho para um projeto de anistia.

Hugo Motta argumentou que um golpe exige liderança e apoio institucional, elementos que, segundo ele, não existiram no episódio. No entanto, investigações da Polícia Federal apontam o contrário. A PF identificou que Jair Bolsonaro e ministros de seu governo incentivaram os atos, enquanto militares foram coniventes com os acampamentos golpistas em frente a quartéis. Além disso, foi encontrada uma minuta de golpe dentro do Palácio do Planalto, reforçando que havia um plano de tomada de poder.

A declaração de Motta repercutiu no Congresso. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), rebateu, afirmando que o 8 de Janeiro foi “a última tentativa de golpe” de Bolsonaro e aliados. Já parlamentares da direita comemoraram a fala do presidente da Câmara. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, classificou as penas aplicadas como desproporcionais e citou o caso de uma “senhorinha” que teria recebido 17 anos de prisão apenas por participar das manifestações.

Apesar de uma pequena queda de popularidade de Bolsonaro, seu grupo político segue pressionando o Congresso por uma anistia aos condenados. O próprio ex-presidente teria pedido a Motta que não barrasse a discussão do tema caso houvesse apoio no Legislativo. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal já condenou 898 envolvidos nos ataques e segue investigando a participação de militares e ex-integrantes do governo na articulação da tentativa de golpe.

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