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Política AUTOCRÍTICA

Apoio do Nordeste a Lula em 2026 não está garantido, alerta Fátima Bezerra

Governadora do Rio Grande do Norte defende maior presença do governo na região e ampliação de alianças para o próximo pleito

28/01/2025 às 15h42 Atualizada em 28/01/2025 às 16h19
Por: Douglas Ferreira
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Fátima Bezerra fala por si porém expressa o sentimento dos demais governadores do Nordeste - Foto: Reprodução
Fátima Bezerra fala por si porém expressa o sentimento dos demais governadores do Nordeste - Foto: Reprodução

A entrevista da governadora Fátima Bezerra ao jornal O Globo expõe uma avaliação crítica e preocupada sobre o cenário político e a queda de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, reduto histórico do petismo. A seguir, um resumo e análise dos principais pontos abordados por Bezerra:

Fátima Bezerra tem legitimidade para criticar?

Sim, e muito. Como governadora de um dos Estados governados pelo PT e ex-presidente do Consórcio Nordeste, Bezerra fala com propriedade sobre os desafios enfrentados na região. Sua posição política e seu histórico de atuação conferem peso às suas críticas e sugestões.


Principais Críticas de Bezerra:

  1. Presença insuficiente do governo federal no Nordeste: Bezerra aponta que o governo precisa estar mais presente na região, especialmente Lula e seus ministros, para consolidar obras e investimentos já iniciados, como a transposição do Rio São Francisco e outras iniciativas de segurança hídrica.

  2. Comunicação ineficaz: Ela critica o governo por falhar em "prestar contas" e comunicar de forma eficiente as realizações à população. A governadora sugere que o Planalto intensifique sua agenda de inaugurações e viagens, algo que foi interrompido durante o período de saúde debilitada do presidente.

  3. Impacto econômico: Bezerra reconhece que a inflação de alimentos e outros problemas econômicos têm afetado a percepção popular sobre o governo. A oposição, segundo ela, tem explorado essas fragilidades e disseminado desinformação de forma agressiva.

  4. Renovação do PT: Embora veja Lula como o nome natural para 2026, Bezerra defende que o PT inicie um processo de renovação para o futuro, citando o exemplo de Natal como indicativo de um movimento político necessário.


O que explica a queda de popularidade de Lula no Nordeste?

  • Desafios econômicos: A inflação e o impacto financeiro no bolso dos nordestinos são fatores determinantes.
  • Desinformação: A governadora cita como exemplo o episódio do Pix, amplamente explorado pela oposição para desestabilizar o governo, mesmo sem fundamento.
  • Crescimento da direita: O avanço de forças conservadoras na região cria um cenário mais competitivo, com maior polarização.

O apoio do Nordeste está garantido para 2026?

Bezerra é categórica: não. Apesar de Lula ainda ter alta aprovação relativa no Nordeste, o cenário mudou, e o Planalto não pode se acomodar. Ela sugere:

  • Intensificação da presença do governo na região.
  • Foco em obras estratégicas, como a transposição do São Francisco.
  • Ampla articulação política e manutenção de alianças.

Frente ampla e alianças políticas:

A governadora rejeita a ideia de uma chapa "puro sangue" do PT e enfatiza a necessidade de alianças mais robustas para enfrentar a força crescente da direita. Ela também alerta que a eleição de 2026 será centralizada no debate sobre democracia, um tema que, segundo ela, não pode ser negligenciado.


Críticas e Propostas:

Bezerra cobra maior agilidade em projetos como o Fundo da Caatinga, que ainda não avançou. Por outro lado, enaltece o potencial do Nordeste em energias renováveis e pede que a região seja tratada como protagonista no cenário nacional e internacional, indo além da exportação de commodities.


Ela fala por si ou reflete a opinião de outros governadores do Nordeste?

Embora a entrevista reflita suas próprias preocupações, os pontos levantados por Bezerra são compartilhados por outros líderes da região, especialmente no que diz respeito à necessidade de maior atenção e investimentos federais.


É possível reverter a queda de popularidade de Lula?

Bezerra acredita que sim, mas condiciona essa recuperação à "virada de chave" na presença do governo, à comunicação eficaz das entregas realizadas e à manutenção de alianças amplas.


Conclusão:

A entrevista da governadora Fátima Bezerra é um alerta estratégico para o Planalto. Ela reconhece os desafios, mas acredita na capacidade de Lula de reverter o cenário no Nordeste. Suas declarações deixam claro que o apoio nordestino não pode ser tomado como garantido e que há um caminho claro para reconquistar a confiança da população: maior presença, diálogo direto e entrega de resultados concretos.

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