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Política QUEDA DE NARRATIVA

Polícia Federal conclui: Michelle e Eduardo Bolsonaro fora do inquérito da trama golpista

Diretor da PF afirma que não há provas suficientes para indiciar familiares do ex-presidente, apesar das acusações iniciais de Mauro Cid

28/01/2025 às 09h16
Por: Douglas Ferreira
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Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal destrói a narrativa de participação de Michele e Eduardo Bolsonaro em suposto golpe que nunca existiu - Foto: Reprodução
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal destrói a narrativa de participação de Michele e Eduardo Bolsonaro em suposto golpe que nunca existiu - Foto: Reprodução

Narrativas em queda: quando o discurso não resiste à investigação

As narrativas construídas em torno do suposto golpe de Estado envolvendo Jair Bolsonaro continuam a desmoronar. Na última segunda-feira (27), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, revelou que a instituição não encontrou "elementos suficientes" para indiciar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro no inquérito que investiga a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.

A revelação foi feita durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, onde Rodrigues destacou que a mera participação em grupos de caráter ideológico não configura crime. "O fato de participar de um grupo radical, moderado ou light, não traz nenhuma consequência jurídica para o processo. É importante saber qual foi a efetiva participação das pessoas para o conceito criminal e ação criminosa desenhada", afirmou.

Quando as acusações não resistem aos fatos

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator-chave do caso, havia mencionado Michelle e Eduardo Bolsonaro em seu depoimento à Polícia Federal. Segundo Cid, ambos mantinham conversas frequentes com o ex-presidente, reforçando que ele teria apoio popular e de CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) para uma eventual ruptura institucional. Contudo, as acusações, que ganharam amplo destaque na mídia, não encontraram respaldo em provas concretas durante as investigações.

"Investigamos, apuramos, mas não encontramos elementos suficientes para várias pessoas, não só essas duas. E, portanto, fizemos a conclusão que tinha que ser feita", completou Rodrigues.

A força das narrativas e a fraqueza dos indícios

No Brasil, a construção de narrativas tem sido uma constante no debate político e na mídia, especialmente em momentos de tensão eleitoral. A inclusão de Michelle e Eduardo no discurso da trama golpista levantou questionamentos: havia indícios reais a serem apurados ou tudo não passou de uma tentativa de arrastar nomes ligados ao ex-presidente para o centro do escândalo?

Enquanto o depoimento de Mauro Cid apontava uma suposta participação ativa dos dois na instigação a um golpe, o relatório final da Polícia Federal, concluído em novembro de 2024, descartou a existência de provas suficientes para incluí-los entre os 40 indiciados.

O que esperar do relatório complementar?

Apesar do encerramento do inquérito principal, Andrei Rodrigues confirmou que a PF enviará ao Supremo Tribunal Federal um relatório complementar nas próximas semanas. O documento promete analisar materiais apreendidos na operação Contragolpe, que podem trazer novas perspectivas sobre o caso.

Entretanto, a ausência de elementos sólidos contra Michelle e Eduardo Bolsonaro expõe o peso que as narrativas exercem no Brasil, mesmo quando frágeis. A sanha em criar culpados antes do tempo esbarra, mais uma vez, na barreira da investigação técnica, evidenciando que nem tudo que é falado sobrevive à luz dos fatos.

Entre acusações que não prosperam e discursos que se esfarelam, resta a pergunta: o que é justiça, e o que é narrativa?

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