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Empresa é alvo de operação por venda de carne contaminada após enchentes no RS

Polícia Civil prende quatro pessoas suspeitas de maquiar 800 toneladas de carne bovina estragada; produtos foram revendidos para consumo humano, gerando lucros superiores a 1.000%

23/01/2025 às 07h38
Por: Wagner Albuquerque
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Empresa é alvo de operação por venda de carne contaminada após enchentes no RS

Quatro pessoas foram presas nesta quarta-feira (22) durante uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra uma empresa acusada de comercializar carne imprópria para o consumo. O produto havia ficado submerso nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em abril de 2024, causando mais de 200 mortes. A investigação aponta que a carne foi “maquiada” para disfarçar os danos provocados pela lama e água acumuladas no frigorífico e em outras áreas atingidas pelas inundações.

A ação foi conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon) do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que investigava o caso desde maio de 2024. O delegado Wellington Pereira afirmou que os sócios da empresa adquiriram 800 toneladas de carne bovina estragada, incluindo cortes nobres, por um preço muito abaixo do mercado. Os alimentos, que deveriam ser destinados à produção de ração animal, foram revendidos a outras empresas para consumo humano, gerando lucros superiores a 1.000%.

Durante a operação, policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Três Rios, na Região Centro-Sul Fluminense, onde funcionava a sede da empresa. No local, foram encontrados produtos vencidos, carne fora das condições ideais de armazenamento e parte dos lotes submersos nas enchentes. Documentos apreendidos revelaram que o grupo pagou R$ 80 mil pela carne deteriorada, que tinha valor original de R$ 5 milhões, antes de revendê-la para diferentes compradores no Brasil.

O esquema foi descoberto após uma empresa gaúcha, cliente da organização investigada, identificar o problema ao receber lotes com etiquetas que comprovavam a origem irregular da carne. De acordo com o delegado Pereira, ao menos 32 carretas transportaram os produtos para diversos estados, e as autoridades trabalham agora para localizar outras empresas possivelmente lesadas. Além disso, a polícia apura a possibilidade de crimes relacionados à receptação qualificada e lavagem de dinheiro.

Os presos responderão por associação criminosa, além de venda e estocagem de mercadoria imprópria para o consumo. Durante as buscas, os agentes também apreenderam remédios para virilidade masculina, indicando a amplitude das atividades ilegais do grupo. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e mapear a rede de distribuição da carne imprópria.

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