
O que diz a ordem executiva de Trump?
Donald Trump iniciou seu mandato com uma declaração de guerra contra o narcotráfico e o terrorismo. Na ordem executiva assinada logo após sua posse, ele classificou cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras. Embora não tenha especificado quais cartéis entrarão na lista, a medida visa combater grupos que, segundo o documento, “promovem campanhas de violência e terror” que afetam diretamente os Estados Unidos e o Hemisfério Ocidental.
A ordem destaca que os cartéis:
O governo formou um grupo de trabalho que deve finalizar a lista de organizações em até 14 dias.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), principais facções criminosas brasileiras, possuem características técnicas que se alinham tanto ao conceito de cartéis quanto ao de terrorismo. Ambos controlam rotas de tráfico internacional de drogas e armas, gerenciam atividades violentas e já foram associados a atentados que podem ser classificados como atos de terror.
Estrutura hierárquica e internacional:
O PCC, por exemplo, possui cerca de 42 mil membros, sendo mil em outros países, e atua em parceria com cartéis mexicanos para enviar cocaína aos EUA.
Uso de violência extrema:
Ações como assassinatos de autoridades, rivais e explosões a bomba em fóruns ou sedes do Judiciário são atos que se encaixam na definição de terrorismo, segundo o delegado Marco Smith da Polícia Federal.
Infiltração estatal:
As organizações influenciam núcleos políticos e de segurança pública para garantir suas operações.
Tráfico direcionado aos EUA:
Membros do PCC têm utilizado os EUA como rota para lavar dinheiro, traficar armas e expandir o mercado da cocaína, especialmente em Miami e Massachusetts.
O grupo de trabalho de Trump deve finalizar a lista em até duas semanas. A partir da inclusão oficial de uma organização na lista de terroristas, os EUA passam a aplicar sanções diretas.
Sanções econômicas:
Qualquer recurso financeiro ou ativo ligado ao PCC e CV nos EUA poderá ser congelado.
Perseguição global:
Os membros das organizações estarão sujeitos a ações militares e de inteligência americanas, uma vez que o país pode tratar esses grupos como alvos de segurança nacional.
Parceria com governos locais:
A inclusão na lista pressiona países como o Brasil a intensificar o combate a essas organizações.
Dificuldade de articulação:
Membros identificados em território americano serão monitorados, presos e deportados, dificultando operações financeiras e logísticas.
A medida pode ter desdobramentos em toda a América do Sul, onde o PCC e o CV têm rotas estabelecidas. Países como o Brasil poderão enfrentar maior pressão dos EUA para combater essas organizações de forma mais rigorosa, o que inclui operações conjuntas e troca de inteligência.
Analistas, no entanto, apontam que a inclusão também pode gerar tensões políticas e críticas, caso a medida seja vista como uma ingerência direta em políticas internas de segurança dos países afetados.
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