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Câmera desaparecida, “apagão” dos instrutores e possível tentativa de fuga: o que ainda falta esclarecer na morte de Maria Eduarda

Jovem de 21 anos foi lançada de uma ponte de 40 metros sem qualquer corda de segurança; polícia já identificou graves falhas e mantém três organizadores presos

15/06/2026 às 09h48
Por: Douglas Ferreira
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O caso não foi só negligência e beira o criminal - Foto: Reprodução
O caso não foi só negligência e beira o criminal - Foto: Reprodução

A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), continua cercada de perguntas que a polícia ainda tenta responder. O que já se sabe, porém, é suficiente para caracterizar uma das mais graves falhas de segurança já registradas em atividades de aventura no Brasil.

Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar presa a qualquer corda de segurança. O mais chocante é que a ausência dos equipamentos foi percebida apenas depois do lançamento, quando testemunhas começaram a gritar desesperadamente: "Gente, a corda!".

Segundo a investigação, as duas cordas que deveriam estar conectadas à vítima simplesmente não foram colocadas.

O que a polícia já descobriu?

A delegada responsável pelo caso, Andréa Dantas Levy, ouviu os envolvidos e afirma que houve uma falha grave e inaceitável nos procedimentos básicos de segurança.

Os três homens responsáveis pelo lançamento alegaram ter sofrido um suposto "apagão" durante a preparação do salto. Em depoimento, disseram não conseguir explicar como esqueceram de prender as cordas.

Para a polícia, a justificativa não elimina a responsabilidade.

A investigação concluiu, em princípio, que os organizadores assumiram conscientemente o risco de produzir o resultado fatal ao deixar de realizar as conferências mínimas exigidas para uma atividade de alto risco.

Por isso, os três foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há aceitação do risco de matar.

A câmera que desapareceu virou uma das peças centrais da investigação

Outro mistério que chamou a atenção dos investigadores envolve uma câmera de filmagem.

Maria Eduarda havia pago R$ 150 adicionais para registrar a experiência com uma câmera 360 graus. No vídeo do salto, ela aparece segurando o equipamento pouco antes da queda.

Entretanto, após o acidente, a câmera não foi encontrada.

Agora a polícia busca esclarecer:

  • Onde o equipamento foi parar;
  • Se a câmera se desprendeu durante a queda;
  • Se alguém retirou o aparelho do local;
  • E se as imagens registradas poderiam ajudar a reconstruir os últimos segundos antes do acidente.

O desaparecimento do equipamento passou a ser considerado um dos pontos mais importantes da investigação.

Falta ouvir uma testemunha considerada fundamental

Outra peça importante para esclarecer o caso é o homem que acompanhava Maria Eduarda no dia do salto.

Segundo a polícia, ele presenciou toda a cena, passou mal imediatamente após o acidente e precisou ser hospitalizado.

Até o momento, ainda não prestou depoimento formal.

Os investigadores acreditam que seu relato poderá ajudar a entender os procedimentos realizados antes do lançamento e se houve algum sinal de desorganização ou negligência percebido pelos participantes.

Prisão preventiva foi mantida

A Justiça decidiu converter a prisão em flagrante dos três responsáveis em prisão preventiva.

O juiz considerou que havia indícios de tentativa de fuga após o acidente e avaliou que a liberdade dos investigados poderia representar risco à ordem pública.

Outro fator que pesou na decisão foi a gravidade da conduta.

Segundo a magistratura, a ausência de uma simples verificação visual permitiu que uma jovem fosse lançada ao vazio sem qualquer sistema de proteção.

Não havia empresa formal operando o evento

A apuração também revelou outro aspecto preocupante.

Segundo a delegada, não existia uma empresa formalmente estruturada e regulamentada operando a atividade.

O evento era promovido por grupos que atuavam sob nomes divulgados nas redes sociais, como "Ih Voei" e "Entre Cordas".

Após a tragédia, os perfis ligados à atividade foram retirados do ar.

Isso levanta novas dúvidas sobre fiscalização, qualificação técnica dos organizadores e cumprimento das normas de segurança exigidas para esportes de aventura.

Ponte já registra histórico de acidentes

A Ponte do Esqueleto possui um histórico preocupante.

Em 2024, uma ciclista morreu após cair da estrutura. Antes disso, outras pessoas sofreram acidentes graves no local.

Hoje, a área é alvo de disputa de responsabilidades.

A Prefeitura de Limeira afirma que a fiscalização caberia ao governo federal. Já a Secretaria de Patrimônio da União sustenta que vinha solicitando apoio das administrações municipais para restringir o acesso ao local.

Enquanto o debate sobre responsabilidades continua, uma família lamenta a perda de uma jovem cheia de planos.

Formada em Educação Física e Gestão Esportiva, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e compartilhava nas redes sociais conteúdos ligados ao esporte, à saúde e à qualidade de vida.

A investigação agora busca responder às perguntas que permanecem sem resposta: como profissionais experientes esqueceram algo tão básico? Onde está a câmera desaparecida? Houve falha humana, negligência extrema ou algo mais ocorreu nos momentos que antecederam a tragédia?

As respostas deverão surgir nas próximas etapas do inquérito policial.

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