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Piauí ENCHENTES DE PICOS

Rafael Fonteles visita áreas atingidas por enchentes em Picos após uma semana de tragédia

Governador retorna de férias e destaca urgência na reconstrução; mas a ajuda será suficiente para uma recuperação digna?

21/01/2025 às 20h01 Atualizada em 21/01/2025 às 20h25
Por: Douglas Ferreira
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Governador Rafael Fonteles foi ver de perto a destruição causada pelas cheias na periferia de Picos - Foto: Reprodução
Governador Rafael Fonteles foi ver de perto a destruição causada pelas cheias na periferia de Picos - Foto: Reprodução

Uma semana após o temporal que devastou o município de Picos, no Piauí, com a cheia do Rio Guaribas e do Riacho dos Macacos, o governador Rafael Fonteles finalmente esteve no local para vistoriar os danos e ouvir a população afetada. A tragédia, que resultou na morte de três pessoas e deixou mais de 3 mil desabrigados, trouxe à tona questões urgentes sobre a resposta do governo estadual frente a desastres naturais.

Fonteles, que estava de férias, retornou ao cargo no último domingo (19) e visitou áreas como os residenciais Augustinho e Bernardes, além dos bairros Ipueiras e Canto da Várzea, nesta terça-feira (21). Durante a visita, o governador afirmou que o Governo do Estado está comprometido em promover a reconstrução das áreas afetadas e atender as famílias desalojadas.

O que o governo trouxe na bagagem?

Apesar do discurso de união entre os poderes estadual, municipal e federal, a ajuda concreta apresentada até agora se limita a kits básicos e ações emergenciais. Segundo a Secretaria de Assistência Social (Sasc), foram enviados 400 kits de higiene e limpeza, além de 400 fardos de água mineral. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) trabalha na desobstrução de rodovias, e o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil seguem com ações de resgate e mapeamento de áreas de risco.

No entanto, diante de uma tragédia que atingiu cerca de 30 mil pessoas, essas medidas parecem insuficientes para enfrentar os desafios de reconstrução, sobretudo para famílias ribeirinhas que perderam tudo e vivem em áreas de risco.

Reconstrução ou paliativos?

Embora o governador tenha prometido "celeridade no atendimento às famílias", ainda não há um plano claro para destinação de recursos substanciais que permitam a reconstrução de moradias ou a realocação de comunidades vulneráveis. Medidas como a dragagem do Riacho dos Macacos e melhorias no bairro Emaús são importantes para evitar novas inundações, mas não resolvem a urgência habitacional e econômica das famílias desabrigadas.

A população local, especialmente as comunidades ribeirinhas, precisa de respostas mais robustas. Casas foram destruídas, e muitas famílias permanecem em áreas de risco iminente. As chuvas ainda são uma grande ameaça. O momento exige não apenas ações logísticas, mas também um compromisso financeiro significativo do governo estadual para garantir moradias seguras e a recuperação da infraestrutura.

Críticas ao atraso na visita

A demora de uma semana para que o governador visitasse as áreas afetadas não passou despercebida. Enquanto o prefeito de Picos, Pablo Santos, elogiou a colaboração entre os níveis de governo, moradores expressam indignação pela sensação de abandono durante os primeiros dias após a tragédia.

"Estávamos sem água, sem luz, sem nada, enquanto a chuva destruía tudo. Só agora aparece alguém para dizer que vão ajudar?", questionou Maria Aparecida, moradora do bairro Ipueiras.

O que deveria ser feito?

Especialistas em gestão de desastres destacam que, além de apoio emergencial, o governo precisa investir em:

  1. Realocação de famílias em áreas de risco: Criar programas habitacionais para retirar definitivamente moradores das margens de rios.
  2. Fundo emergencial de reconstrução: Destinar recursos específicos para recuperar a infraestrutura da cidade.
  3. Planos de prevenção: Implementar sistemas de alerta e drenagem que minimizem os impactos de futuras enchentes.

E agora?

Enquanto a população de Picos tenta se reerguer dos escombros, fica a dúvida se o governo estadual realmente transformará promessas em ações concretas ou se a ajuda se limitará a ações paliativas e discursos protocolares. O momento exige mais do que palavras: é hora de investimentos reais para reconstruir vidas e devolver dignidade a milhares de famílias afetadas.

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