
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar a devolução do passaporte de Jair Bolsonaro e impedir sua viagem para a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, repercutiu negativamente na imprensa internacional. Veículos como The New York Times, The Washington Post, The Guardian, El País e a emissora Al Jazeera destacaram a contradição entre a ausência de condenações contra Bolsonaro e as restrições impostas pelo STF, o que projeta uma imagem de seletividade e politização do Judiciário brasileiro.
O New York Times apontou que Bolsonaro enfrenta investigações criminais, mas enfatizou que ele não foi condenado por nenhum crime até o momento. O jornal destacou como o ex-presidente enxerga os Estados Unidos como um aliado político e sugeriu que o veto à viagem reflete um ambiente de perseguição. A manchete reforçou o tom crítico: “O ex-presidente brasileiro, pressionado por investigações criminais, olha para os EUA para mudar a política de sua nação — e talvez mantê-lo um homem livre”.
Enquanto isso, o Washington Post destacou o histórico de embates entre Bolsonaro e Moraes, classificando o ministro como um “inimigo pessoal” do ex-presidente, conforme palavras do próprio Bolsonaro. O jornal ressaltou o contraste com o ex-presidente Lula, que, mesmo tendo sido condenado por corrupção e lavado de dinheiro em processos anulados posteriormente por questões técnicas, não enfrentou restrições similares e continua realizando viagens internacionais representando o Brasil.
A emissora Al Jazeera classificou a apreensão do passaporte de Bolsonaro como parte de um cenário judicial que pode ser interpretado como uma tentativa de limitar a atuação política do ex-presidente. A matéria apontou que, apesar das acusações, Bolsonaro não foi condenado, e a medida levanta preocupações sobre imparcialidade. Segundo a emissora, o veto reforça a imagem de um Judiciário brasileiro altamente polarizado e politizado.
Na Europa, The Guardian e El País ampliaram o tom crítico. O Guardian relembrou que Bolsonaro é investigado por suposta tentativa de desestabilizar a democracia, mas destacou que nenhuma condenação foi registrada contra ele. Já El País apontou que, enquanto líderes com histórico de corrupção, como Lula, conseguem projetar influência internacional, Bolsonaro enfrenta restrições que geram questionamentos sobre a seletividade do sistema judicial brasileiro. O jornal também mencionou a presença de Michele Bolsonaro em Washington como representante do ex-presidente, uma estratégia para contornar o impedimento judicial.
A repercussão reflete um cenário de desgaste institucional para o Brasil, em que decisões judiciais são vistas como desproporcionais ou seletivas, contribuindo para uma imagem internacional de fragilidade democrática e falta de imparcialidade no sistema de justiça.




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