
Nesta sexta-feira, um juiz da Bolívia determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales após sua ausência em uma audiência judicial em que deveria responder por acusações de abuso sexual. O caso remonta a 2016, quando Morales, ainda no cargo, teria mantido um relacionamento com uma adolescente de 15 anos, resultando no nascimento de uma filha.
A denúncia foi divulgada em 2024 pelo ministro da Justiça, César Siles, do governo de Luis Arce. Segundo o ministro, a adolescente teria dado à luz aos 16 anos, e Morales seria reconhecido como pai na certidão de nascimento. “É um crime grave que não pode ficar impune”, afirmou Siles à época.
Morales, que vive na Argentina desde 2019, negou as acusações e as classificou como perseguição política. Em sua conta no X (antigo Twitter), o ex-presidente declarou: "Não tenho medo! Não vão me calar!" Entretanto perdeu uma excelente oportunidade para se defender e esclarecer os fatos.
Embora a ordem de prisão tenha sido anulada por uma juíza de Santa Cruz após recurso da defesa, o caso continua a ser investigado. A promotora Sandra Gutiérrez, que inicialmente solicitou a prisão de Morales, foi destituída de suas funções, levantando suspeitas sobre possíveis interferências no processo. O caso está mal explicado e fica cada vez mais difícil compreender esse processo.
O escândalo ocorre em um momento de crescente tensão entre Morales e o atual presidente Luis Arce, que disputam o controle do partido governista, o Movimento ao Socialismo (MAS), e a candidatura às eleições de 2025. O episódio aprofunda as divisões internas e mancha a trajetória política de Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019.
O desenrolar das investigações é acompanhado de perto pela comunidade internacional e reforça os debates sobre justiça e impunidade em casos envolvendo figuras públicas de alta relevância.
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