
Duas gigantes da tecnologia, Amazon e Meta, anunciaram o encerramento de seus programas internos de diversidade e inclusão nos Estados Unidos. As medidas, que entram em vigor no início de 2025, incluem o fim de iniciativas de representatividade e treinamentos voltados para inclusão no ambiente corporativo. Ambas as empresas justificaram a decisão com argumentos voltados para a revisão estratégica e “modernização” de práticas.
Na Amazon, um memorando interno distribuído em dezembro de 2024 indicou que “programas e materiais datados” seriam descontinuados, sem detalhar quais projetos seriam afetados. Apesar disso, grupos formados por funcionários de minorias, como pessoas negras, mulheres e veteranos de guerra, continuarão operando. Segundo fontes da Bloomberg, a mudança sinaliza uma redução significativa nos esforços voltados à inclusão e representatividade dentro da empresa.
A Meta, por sua vez, foi ainda mais contundente. A companhia confirmou o encerramento imediato de atividades relacionadas à contratação de minorias e treinamentos de diversidade. A equipe responsável pelo setor de inclusão foi desfeita, e a empresa anunciou a substituição de programas de inclusão por iniciativas voltadas a práticas “justas e consistentes” para mitigar viés de forma generalizada, sem distinção de origem ou grupo social.
Analistas apontam que essas decisões podem estar ligadas à aproximação das empresas com o governo de Donald Trump, que reassumirá a presidência dos EUA em breve. Políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI) têm sido alvo de críticas de setores conservadores, que as acusam de prejudicar a economia e promover privilégios para determinados grupos. A recente decisão da Suprema Corte, que tornou ações afirmativas em universidades ilegais, pode ter servido de precedente para o setor corporativo seguir o mesmo caminho.
Além do fim das iniciativas de diversidade, a Meta também encerrou o programa de checagem de fatos e flexibilizou punições a conteúdos ofensivos em suas plataformas. "Especialistas" alertam que essa flexibilização pode aumentar a desinformação e ampliar discursos de ódio, especialmente contra minorias, como o grupo LGBTQIA+. Segundo comunicado da empresa, o termo “DEI” tornou-se “carregado” e é mal compreendido como uma prática que favorece determinados grupos em detrimento de outros.
As mudanças dividem opiniões. Enquanto críticos afirmam que as decisões enfraquecem o combate às desigualdades no mercado de trabalho, apoiadores das novas políticas consideram que elas trazem maior neutralidade e foco em meritocracia. Em um momento de intensificação das tensões políticas e sociais nos Estados Unidos, o debate sobre diversidade no setor privado ganha novos contornos e desafios.
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