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Trânsito caótico de Teresina transforma motociclistas em alvos diários de acidentes graves

Falta de respeito, fiscalização precária e imprudência transformam as ruas da capital em um campo de batalha diário para quem depende de duas rodas

09/01/2025 às 09h01
Por: Douglas Ferreira
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No acidente o motociclista Sebastião Silva foi projetado no asfalto bastante ferido - Foto: Douglas Ferreira
No acidente o motociclista Sebastião Silva foi projetado no asfalto bastante ferido - Foto: Douglas Ferreira

O trânsito de Teresina, cada vez mais caótico e violento, expõe diariamente a fragilidade dos motociclistas, as principais vítimas de acidentes graves na capital. Por volta das 8h da manhã, Sebastião Silva, pilotando sua moto pela Avenida Zequinha Freire no sentido Vila Maria, viu sua vida por um fio. Ao se aproximar do Mix Mateus, foi surpreendido por um Honda City que realizou uma conversão à esquerda, provocando uma colisão violenta. No mesmo instante, um Fiat Toro também se envolveu no acidente, agravando ainda mais a situação.

Sebastião foi lançado por cima do Honda City, caindo no asfalto com ferimentos graves. Apesar da dor e do trauma, permaneceu consciente, sendo socorrido por uma dezena de motociclistas e entregadores que, em um ato de solidariedade, se mobilizaram rapidamente para ajudá-lo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o encaminhou ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), referência em traumas no Estado. Já os ocupantes dos veículos maiores saíram ilesos, reforçando o papel da motocicleta como o elo mais frágil nas ruas.

Esse episódio é apenas um reflexo do que se tornou rotina nas vias da capital. De acordo com o HUT, só nos primeiros seis meses de 2023, a unidade atendeu 3.979 ocorrências de vítimas de acidentes de trânsito, um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, impressionantes 86% envolveram motociclistas.

Os números do drama no trânsito

Motociclistas são as maiores vítimas do trânsito de Teresina, representando um público altamente vulnerável. Cerca de 43% dos casos exigem internações e procedimentos cirúrgicos devido a fraturas em pernas, braços e quadril, além de traumas cranianos, faciais e torácicos.

Mais de 70% dos condutores envolvidos em acidentes são homens, predominantemente entre 21 e 40 anos. A capital concentra 72% desses sinistros, enquanto 22% ocorrem no interior do Estado e 6% envolvem vítimas de municípios vizinhos, especialmente da região dos Cocais Maranhense.

Com 16 anos de atuação, o HUT permanece como o principal suporte para essas emergências. Contudo, a crescente demanda aponta para um colapso iminente, caso não haja uma intervenção imediata no trânsito da cidade.

Até quando?

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) precisa agir com urgência para mudar esse cenário trágico. Medidas como fiscalização intensiva, campanhas educativas e readequação das vias são fundamentais. A pergunta que ecoa é: até quando Teresina permitirá que seus motociclistas continuem sendo as maiores vítimas de um trânsito desorganizado e negligente?

O futuro desses condutores, que diariamente enfrentam riscos extremos, depende da ação imediata das autoridades. Sem mudanças, as ruas da capital continuarão sendo palco de tragédias evitáveis e de uma triste rotina de sofrimento humano.

Liberação das faixas exclusivas para ônibus

Tão logo assumiu a diretoria da Strans no último dia 2, o prefeito Sílvio Mendes já determinou mudanças no trânsito da capital. A principal delas envolve os motociclistas. A Strans liberou o tráfego de motocicletas na faixas exclusivas para ônibus.

"A medida, apoiada pelo prefeito Sílvio Mendes, visa exatamente contribuir para a proteção do motociclista teresinense, que deixa de disputar as pistas de rolamento com os automóveis, e, assim, melhorar o fluxo de veículos nas principais avenidas da nossa cidade", explicou o engenheiro Carlos Daniel, superintendente da Strans.

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