
A Meta, empresa responsável por gigantes das redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou mudanças significativas no monitoramento de conteúdos nas suas plataformas. A principal novidade é o fim das equipes externas de checagem de fatos, substituídas pelo recurso “Notas da Comunidade”, já usado no X (antigo Twitter). A ferramenta, que será implementada primeiro nos Estados Unidos, promete dar à comunidade o poder de autorregular o conteúdo, marcando um afastamento do controle direto e das restrições anteriores.
Embora a mudança tenha sido apresentada como um compromisso com a liberdade de expressão, o momento do anúncio levanta dúvidas. Ele ocorre logo após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, e poucos dias depois de Joel Kaplan, republicano alinhado a Trump, ser promovido a presidente de políticas globais da Meta.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, declarou que o controle excessivo sobre o conteúdo não apenas elimina publicações indesejadas, como também silencia vozes legítimas, muitas vezes por questões políticas. No entanto, essa mudança ocorre em um contexto de preocupação crescente entre as big techs em relação à postura regulatória do governo Trump, que assumirá no dia 20 de janeiro.
Historicamente, a Meta tem se alinhado ao Partido Democrata e a agendas progressistas, incluindo a exclusão das contas de Trump em 2021. Porém, as novas medidas e o discurso de Zuckerberg sugerem uma reaproximação com o republicano. A decisão de adotar as Notas da Comunidade e reduzir restrições parece, ao mesmo tempo, uma resposta às críticas contra censura e uma tentativa de evitar conflitos com a administração de Trump, que tem demonstrado disposição para enquadrar as gigantes de tecnologia.
Além do Facebook e Instagram, a Meta anunciou que as mudanças também afetarão o Threads, incluindo o aumento da recomendação de conteúdo político. Essa estratégia ecoa movimentos feitos por Elon Musk no X e reforça a impressão de que a empresa está se ajustando a um ambiente político mais conservador.
Apesar de críticas à censura em países como os da União Europeia e América Latina, o discurso de Zuckerberg sobre “tribunais secretos” tem sido questionado, especialmente no contexto brasileiro. As decisões do STF no Brasil, por exemplo, foram mencionadas indiretamente como parte de um ambiente de censura.
A decisão da Meta de alterar suas políticas de moderação pode ser vista como um avanço em favor da liberdade de expressão. No entanto, ao considerar o histórico recente da empresa, fica claro que as mudanças vêm acompanhadas de uma boa dose de pragmatismo político. A reaproximação com Trump, um líder que já foi bloqueado pelas redes da Meta, sugere que o medo de represálias pode ter acelerado a transformação. Enquanto isso, os olhos do mundo estão atentos para ver como essa mudança impactará o debate público e a moderação de conteúdo nos próximos anos.
Oi, pessoal.
Eu quero falar sobre algo importante hoje, porque é hora de voltarmos às nossas raízes sobre livre expressão no Facebook e no Instagram.
Comecei a construir mídias sociais para dar voz às pessoas. Dei uma palestra em Georgetown há cinco anos sobre a importância de proteger a expressão livre, e ainda acredito nisso hoje. Mas muita coisa aconteceu nos últimos anos. Há uma discussão ampla sobre os potenciais danos do conteúdo online.
Governos e mídia pressionam para censurar mais e mais. Muito disso é claramente político. Mas também há muita coisa legitimamente ruim lá fora. Drogas, terrorismo, exploração de crianças. Essas são coisas que levamos muito a sério, e eu quero ter certeza de que nós lidamos responsavelmente com elas.
Então construímos um monte de sistemas complexos para moderar o conteúdo. Mas o problema com sistemas complexos é que eles erram.
Mesmo se eles acidentalmente censurarem apenas 1% dos posts, isso é milhões de pessoas. E chegamos a um ponto em que são apenas muitos erros e muita censura.
As eleições recentes também são um ponto de virada cultural para que voltemos a priorizar a livre expressão. Então vamos voltar às nossas raízes e focar reduzir erros, simplificar nossas políticas e restaurar a expressão livre em nossas plataformas.
Mais especificamente, isto é o que vamos fazer:
Primeiro, vamos eliminar os fact-checkers e os trocar por notas de comunidade, semelhantes a X.
Começando nos EUA, depois de Trump ser eleito em 2016, a mídia escreveu sem parar sobre como a desinformação era uma ameaça à democracia.Nós tentamos, de boa fé, lidar com essas preocupações sem nos tornarmos os árbitros da verdade. Mas os verificadores de fatos têm sido politicamente tendenciosos demais e destruíram mais confiança do que criaram, especialmente nos EUA. Então, nos próximos meses, vamos implementar gradualmente um sistema mais abrangente de notas da comunidade.
Em segundo lugar, vamos simplificar nossas políticas de conteúdo e eliminar várias restrições sobre temas como imigração e gênero que estão fora de sintonia com o discurso predominante. O que começou como um movimento para ser mais inclusivo tem sido cada vez mais usado para silenciar opiniões e excluir pessoas com ideias diferentes, e isso foi longe demais. Quero garantir que as pessoas possam compartilhar suas crenças e experiências em nossas plataformas.
Em terceiro lugar, estamos mudando a forma como aplicamos nossas políticas para reduzir os erros que representam a maior parte da censura em nossas plataformas. Antes, tínhamos filtros que escaneavam qualquer violação de política. Agora, vamos focar esses filtros em lidar com violações ilegais e de alta gravidade. Para violações de baixa gravidade, vamos depender de alguém relatando o problema antes de tomarmos uma ação. O problema é que os filtros cometem erros e removem muito conteúdo que não deveriam. Ao reduzir sua abrangência, vamos diminuir dramaticamente a quantidade de censura em nossas plataformas. Também ajustaremos nossos filtros para exigir maior confiança antes de remover qualquer conteúdo.
A realidade é que isso é uma troca. Significa que vamos detectar menos conteúdos problemáticos, mas também reduziremos o número de postagens e contas de pessoas inocentes que removemos acidentalmente.
Em quarto lugar, vamos trazer de volta o conteúdo cívico por um tempo. A comunidade pediu para ver menos política porque isso estava causando estresse. Então, paramos de recomendar essas postagens. Mas parece que estamos em uma nova era agora, e estamos começando a receber feedback de que as pessoas querem ver esse conteúdo novamente. Então, vamos começar a reintroduzi-lo no Facebook, Instagram e Threads, enquanto trabalhamos para manter as comunidades amigáveis e positivas.
Em quinto lugar, vamos mudar nossas equipes de confiança e segurança e moderação de conteúdo para fora da Califórnia, e a revisão de conteúdo nos EUA será baseada no Texas. Enquanto trabalhamos para promover a liberdade de expressão, acredito que isso ajudará a construir confiança ao realizar esse trabalho em locais onde há menos preocupação com o viés de nossas equipes.
Por fim, vamos trabalhar com o presidente Trump para resistir a governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando por mais censura. Os EUA têm as proteções constitucionais mais fortes do mundo para a liberdade de expressão.
A Europa tem um número cada vez maior de leis institucionalizando a censura e dificultando a inovação.
Países da América Latina têm tribunais secretos que podem ordenar que empresas removam conteúdos de forma silenciosa.
A China censurou nossos aplicativos, impedindo que eles funcionem no país.
A única maneira de resistir a essa tendência global é com o apoio do governo dos EUA. E é por isso que tem sido tão difícil nos últimos quatro anos, quando até o governo dos EUA pressionou por censura.
Ao atacar empresas americanas e de outros países, isso encorajou outros governos a irem ainda mais longe. Mas agora temos a oportunidade de restaurar a liberdade de expressão, e estou animado para fazer isso. Vai levar tempo para acertar. Estes são sistemas complexos e nunca serão perfeitos.
Também há muitas coisas ilegais, que ainda precisamos trabalhar muito para remover. Mas o ponto principal é que, depois de anos de trabalho de moderação de conteúdo focado principalmente em remoção, é hora de focar em reduzir erros, simplificar nossos sistemas e voltar às nossas raízes de dar voz às pessoas. Estou ansioso por este próximo capítulo. Fiquem bem, e mais novidades virão em breve.
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