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Política FOLHA CORRIDA

Gestão sob suspeita: Chefe do DNIT envolvido em corrupção liderava setor responsável por ponte que desabou

Renan Bezerra, investigado e já preso por corrupção, dirigia o departamento responsável por infraestrutura no Tocantins. Tragédia levanta questões sobre nomeações políticas e negligência

29/12/2024 às 06h45
Por: Douglas Ferreira
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A vida pregressa de Renan Bezerra consta até prisão por ato de corrução no ano de 2017 - Foto: Reprodução
A vida pregressa de Renan Bezerra consta até prisão por ato de corrução no ano de 2017 - Foto: Reprodução

A tragédia envolvendo o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, entre os Estados do Tocantins e do Maranhão, expõe um retrato alarmante da gestão pública no Brasil. A estrutura colapsou no último domingo (22), deixando ao menos 11 mortos, 7 desaparecidos e um desastre ambiental causado pelo derramamento de ácido sulfúrico e defensivos agrícolas no Rio Tocantins.

A responsabilidade pela manutenção da ponte recai sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Tocantins, chefiado por Renan Bezerra de Melo Pereira desde 2023. O superintendente é réu em um processo por corrupção e já foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Ápia, deflagrada em 2017. O caso reacende críticas às nomeações políticas do governo Lula (PT) e do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).

Um passado marcado por irregularidades

Renan Bezerra esteve no centro de um escândalo de desvios de mais de R$ 200 milhões do BNDES, apurados na Operação Ápia. A investigação apontou fraudes em licitações e contratos públicos, além de crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na época, ele era superintendente da Agência de Transporte e Obras Públicas do Tocantins (AGETO/TO).

A prisão de Renan Bezerra ocorreu ao lado de figuras políticas influentes, incluindo os ex-governadores Siqueira Campos e Sandoval Cardoso. Em 2020, o caso foi transferido para a Justiça Eleitoral, sob alegacão de uso dos recursos desviados para financiar campanhas políticas. Até hoje, Bezerra permanece como réu.

Negligência e apadrinhamento político

Mesmo com o histórico de corrupção, Renan Bezerra foi indicado ao cargo pelo deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos/TO), após aval do presidente Lula e do ministro Renan Filho. Críticos apontam que a nomeação reflete uma prática de apadrinhamento político, desconsiderando a competência técnica e a ficha criminal.

A ponte, cuja manutenção foi negligenciada, havia mostrado sinais de desgaste há pelo menos dois anos. Apesar dos alertas, nenhuma providência efetiva foi tomada. Agora, as famílias das vítimas e a população local exigem respostas e responsabilização.

Tragédia com impactos ambientais e sociais

O colapso não só ceifou vidas, mas também causou um desastre ambiental. Três caminhões carregados com 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas afundaram no rio, colocando em risco a fauna aquática e a segurança hídrica.

Investigados e respostas pendentes

Renan Bezerra, que se manteve em silêncio até o momento, segue como réu e sob o olhar atento do Ministério Público. Enquanto isso, o DNIT abriu sindicância interna para apurar o ocorrido, mas críticos consideram a investigação insuficiente diante das evidências de negligência e apadrinhamento político.

O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade das instituições públicas e a urgência de reformas na gestão de cargos estratégicos, além de punições severas para evitar que tragédias como essa se repitam. Difícil mesmo é entender a dificuldade do governo Lula em nomear assessores sem folha corrida na Polícia Federal.

O assunto ganhou repercussão nacional e o senador Sérgio Fernando Moro comentou o caso e sua rede social:

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