
Pela primeira vez, engenheiros da Northwestern University, nos Estados Unidos, conseguiram realizar um teletransporte quântico através de um cabo de fibra óptica que já transporta tráfego de Internet. O experimento, realizado em uma rede de 30 quilômetros, demonstrou que a comunicação quântica pode coexistir com a infraestrutura clássica, simplificando o caminho para aplicações futuras. Os detalhes foram publicados na revista Optica.
O teletransporte quântico utiliza o emaranhamento de partículas, um fenômeno que conecta duas partículas, permitindo que troquem informações independentemente da distância. Diferentemente dos sinais convencionais, que usam milhões de partículas de luz, as informações quânticas dependem de fótons individuais. Apesar da complexidade técnica, a equipe liderada por Prem Kumar encontrou uma solução para proteger os delicados fótons do “ruído” causado pelo tráfego clássico, ajustando o comprimento de onda e aplicando filtros especiais.
“Estudamos como a luz se dispersa nos cabos e posicionamos nossos fótons em um ponto estratégico, onde o ruído é minimizado”, explicou Kumar. No experimento, as informações quânticas foram transmitidas corretamente mesmo enquanto o cabo transportava simultaneamente 400 gigabits por segundo de tráfego convencional. Este feito abre possibilidades para redes quânticas compartilharem infraestrutura com redes clássicas, eliminando a necessidade de cabos dedicados.
Embora o experimento tenha sido bem-sucedido, a transmissão quântica apresentou um erro de cerca de 10% entre os dados enviados e recebidos. Segundo Carlos Sabín, pesquisador da Universidade Autônoma de Madri, esse nível de erro é comparável ao de experimentos sem tráfego simultâneo, mas indica que a tecnologia ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento.
Kumar destacou que o próximo passo é ampliar os experimentos para distâncias maiores e incorporar novos elementos, como pares adicionais de fótons emaranhados. Além disso, a equipe pretende realizar testes em cabos ópticos enterrados no mundo real, aproximando a tecnologia de aplicações práticas.
Especialistas concordam que, apesar dos desafios, o experimento representa um marco no campo das comunicações quânticas. Ele sugere que futuras redes poderão usar a infraestrutura de fibra óptica existente, permitindo a coexistência de sistemas clássicos e quânticos, e pavimentando o caminho para uma revolução tecnológica nas comunicações.
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