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Após quase 20 anos Lula decide que vai devolver relógio de luxo à União

O timing levantou suspeitas: teria o presidente recuado para evitar abrir um precedente que favorecesse o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso das joias sauditas?

09/08/2024 às 06h20
Por: Douglas Ferreira
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Lula teria se sentido usado pelo TCU - Foto: Reprodução
Lula teria se sentido usado pelo TCU - Foto: Reprodução

A decisão do presidente Lula de devolver o relógio de luxo que ganhou há quase duas décadas pegou muitos de surpresa. Durante anos, Lula se manteve firme em sua posição de não devolver o presente, e até apresentou diferentes justificativas ao longo do tempo. Então, por que agora, do nada, ele decidiu devolver a joia avaliada em R$ 60 mil à União?

A decisão foi comunicada durante uma reunião ministerial, no mesmo dia em que o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou Lula a manter o relógio. O timing levantou suspeitas: teria o presidente recuado para evitar abrir um precedente que favorecesse o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso das joias sauditas? Afinal, o TCU decidiu que Lula poderia ficar com o presente devido à falta de regras claras na época em que o recebeu, em 2005. No entanto, essa mesma decisão poderia ser usada para beneficiar Bolsonaro, que enfrenta investigações por não devolver presentes recebidos durante seu mandato.

Fontes próximas ao presidente revelam que Lula se sentiu usado pelo TCU. O presidente teria se irritado ao perceber que a decisão da Corte poderia ser interpretada como uma manobra para salvar Bolsonaro. Além de devolver o relógio, Lula orientou a Advocacia-Geral da União (AGU) a recorrer da decisão do TCU, argumentando que o contexto entre os casos dos dois presidentes é distinto. Em 2005, não havia uma regra clara sobre presentes de chefes de Estado, uma norma que só foi estabelecida em 2016. Bolsonaro, por outro lado, teria recebido as joias sauditas durante seu mandato, quando as regras já estavam em vigor, e, portanto, deveria devolvê-las.

A devolução do relógio por Lula levanta questionamentos sobre suas verdadeiras motivações. Estaria o presidente tentando preservar sua imagem pública e evitar comparações com Bolsonaro? Ou seria uma estratégia para desarmar qualquer tentativa futura de justificar a retenção de presentes por outros líderes? Seja qual for a razão, a decisão de Lula marca um desfecho inesperado para uma questão que se arrastava há quase 20 anos e coloca em evidência as complexas dinâmicas políticas por trás dos bastidores do poder.

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