
Uma operação conjunta entre as forças de segurança do Ceará e do Rio de Janeiro desmantelou uma comunidade de criminosos cearenses escondida na Favela da Rocinha, zona Sul do Rio. A ação, deflagrada na última terça-feira (17), revelou mansões luxuosas, seguranças armados e um arsenal de armas de grosso calibre pertencentes aos líderes da facção Comando Vermelho no Ceará, conhecidos como José Mario Pires Magalhães, apelidado de 'ZM' ou 'Bin Laden', e Anastácio Paiva Pereira, o 'Doze' ou 'Fiel'.
Os primeiros indícios surgiram quando delegados do Interior Norte do Ceará notaram um padrão: autores de homicídios em municípios como Santa Quitéria, Sobral e Canindé estavam desaparecendo antes da execução dos mandados de prisão. Após investigações, descobriu-se que esses indivíduos estavam refugiados na mesma área da Rocinha.
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) acionou o Ministério Público Estadual (MPCE), que mobilizou seu Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, planejou a operação. O BOPE, da Polícia Militar do RJ, foi chamado para dar suporte devido ao alto risco da missão.
No início da operação, os policiais foram recebidos com disparos de fuzis, incluindo um Ponto 50, arma capaz de derrubar aeronaves. Durante o confronto, Vítor dos Santos Lima, o 'Playboy', foi morto. Ele atuava como segurança pessoal de Johny Bravo, chefe do tráfico local.
Embora a ação tenha sido intensa, a troca de tiros permitiu que os principais alvos, ZM e Doze, escapassem. Ambos viviam em mansões luxuosas - uma delas equipada com piscina e segurança 24 horas.
Nas residências, a polícia apreendeu 40 quilos de pasta base de cocaína, armas de fogo, equipamentos de comunicação e documentos que podem ajudar na continuação das investigações. O destino dos imóveis será definido após análise jurídica, podendo ser leiloados ou utilizados para fins públicos.
Os líderes fugitivos, ZM e Doze, são reincidentes, com longa ficha criminal que inclui homicídios, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Além disso, há suspeitas de que estivessem planejando ampliar suas atividades criminosas em território carioca, fortalecendo laços com o Comando Vermelho.
A operação é um marco na colaboração entre Estados para combater facções criminosas. Apesar da fuga dos líderes, o delegado Marcos Aurélio França afirmou que novas ações serão realizadas para capturar os foragidos e enfraquecer a rede criminosa.
"Esses enfrentamentos são indispensáveis para evitar que o número de homicídios no Ceará continue a crescer. Vamos agir quantas vezes for necessário", garantiu França.
A operação reforça o alerta sobre a necessidade de vigilância e colaboração interestadual para combater o avanço das facções, que continuam a desafiar as autoridades e ameaçar a segurança pública.
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