
Cientistas renomados alertaram sobre os perigos associados à criação de organismos sintéticos conhecidos como “vida espelho”. Esses organismos seriam compostos por moléculas com versões espelhadas das naturais, tornando-os invisíveis às defesas imunológicas dos seres vivos. Caso bactérias espelhadas escapem de laboratórios, poderiam se estabelecer no meio ambiente e causar infecções fatais em plantas, animais e humanos, além de causar desequilíbrios ecológicos, já que não seriam reconhecidas por organismos predadores naturais.
O conceito de “vida espelho” está relacionado à quiralidade molecular, em que moléculas têm versões “canhotas” e “destras”, como as mãos humanas. Enquanto o DNA terrestre tem orientação destra, os aminoácidos das proteínas são canhotos. As versões espelhadas dessas moléculas poderiam formar organismos funcionais, mas totalmente alheios à biologia atual.
Apesar dos riscos, cientistas afirmam que a criação desses organismos ainda está distante, devido às dificuldades técnicas envolvidas. No entanto, os avanços rápidos na biologia sintética, como a produção de moléculas espelhadas e células artificiais, já geraram preocupações. Por isso, 38 laureados com o Prêmio Nobel e outros especialistas pediram uma pausa nas pesquisas sobre vida espelho.
O microbiologista Dr. Vaughn Cooper alertou que criar esses organismos representa um risco incalculável, já que suas interações biológicas seriam imprevisíveis. O prêmio Nobel Gregory Winter também destacou que a falta de reconhecimento imunológico é um grande problema, pois seres humanos não seriam capazes de produzir anticorpos contra bactérias espelhadas. Embora as pesquisas possam trazer benefícios, como novas terapias e medicamentos, os cientistas acreditam que os riscos superam as vantagens. Por isso, defendem maior regulação da biologia sintética e a realização de um debate público sobre a criação dessas formas de vida.
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