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Política PENA COMPLEMENTAR

Câmara aprova 'castração química' para pedófilo: Proposta segue para o Senado

Medida, que divide opiniões, prevê uso de medicamentos inibidores da libido como punição complementar para abusadores de crianças e adolescentes, além de incluir cadastro nacional de pedófilos

13/12/2024 às 06h12
Por: Douglas Ferreira
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Além da 'castração química' a Câmara aprovou também o cadastro nacional de pedófilos - Foto: Reprodução
Além da 'castração química' a Câmara aprovou também o cadastro nacional de pedófilos - Foto: Reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (12) a proposta que prevê a 'castração química' como punição complementar para pedófilos condenados. Com 367 votos a favor, 85 contrários e 14 abstenções, o projeto foi incluído durante a votação de uma medida que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estabelecendo um cadastro nacional de pedófilos. Agora, o texto será encaminhado ao Senado para análise.

O que prevê a proposta

A 'castração química' será aplicada cumulativamente às penas já previstas para crimes de violência e exploração sexual de crianças e adolescentes. O procedimento consiste no uso de medicamentos que inibem a libido, regulamentados pelo Ministério da Saúde e levando em conta eventuais contraindicações médicas.

Além disso, a proposta cria o cadastro nacional de pedófilos, que centralizará informações de condenados com trânsito em julgado. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) será responsável pela gestão desse sistema, incluindo dados pessoais e fotografia dos criminosos.

Contexto e debate no plenário

A inclusão da 'castração química' foi polêmica e gerou intenso debate no plenário. A medida foi apresentada como um destaque, após ser rejeitada pela relatora do projeto, deputada Delegada Katarina (PSD/SE), que justificou sua decisão com base em um acordo político firmado para aprovação do texto principal.

Deputados da oposição criticaram duramente a medida. Talíria Petrone (Psol/RJ) classificou a proposta como "populismo penal" e ressaltou que a violência sexual contra crianças exige políticas de prevenção, como educação sexual e campanhas de conscientização.

Por outro lado, defensores da 'castração química', como o deputado Sanderson (PL/RS), argumentaram que a medida é adotada em outros países, como Estados Unidos, Rússia e Indonésia, e poderia ajudar a combater o alto índice de abusos no Brasil. “O ideal seria pena de morte para pedófilos, mas essa é uma solução menos gravosa e eficiente”, afirmou Sanderson.

Impactos e desafios da medida

A proposta traz à tona questões sobre a eficácia da 'castração química' como forma de punição e prevenção. Parlamentares contrários à medida destacaram que o problema da pedofilia não se limita a impulsos sexuais, podendo envolver outros tipos de violência, inclusive virtual.

Adicionalmente, especialistas apontam a importância de ações mais amplas, como a criação de programas de prevenção e apoio às vítimas. “A política pública precisa resolver a epidemia de violência sexual com medidas educativas e de responsabilização”, afirmou a deputada Lídice da Mata (PSB/BA).

Próximos passos

Com a aprovação na Câmara, o texto segue para o Senado. Caso seja aprovado sem alterações, ele será enviado para sanção presidencial. Se houver modificações, retornará à Câmara para nova análise.

A discussão sobre a 'castração química' é complexa e levanta questões éticas, jurídicas e sociais. Resta saber como o Senado e a sociedade civil irão se posicionar diante de um tema tão sensível e controverso.

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