
O observador oficial do Brasil nas eleições na Venezuela, Celso Amorim, adotou uma postura mais crítica sobre o processo eleitoral venezuelano, que vem sendo questionado por suspeitas de fraude. Em uma entrevista nesta quarta-feira (7), Amorim expressou sua preocupação com o fato de o governo de Nicolás Maduro não ter apresentado as atas das sessões de votação, uma situação que ele classificou como "lamentável". Essa crítica pode abalar a confiança no processo eleitoral do país e também gera um desconforto em relação à postura de setores da esquerda brasileira, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que mantêm uma posição de apoio ao governo Maduro.
Em entrevista à Globo News, Amorim, que também é assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, destacou que a solução para os problemas eleitorais da Venezuela deve ser encontrada internamente, sem interferências externas. Ele criticou as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia ao país, considerando-as um obstáculo ao diálogo e à conciliação. Amorim ressaltou que, sem flexibilidade e abertura para ouvir todas as partes envolvidas, o risco de um conflito interno na Venezuela pode aumentar.
Apesar de sua cobrança por transparência nas eleições, Amorim também demonstrou desconfiança em relação às alegações da oposição venezuelana sobre fraudes, mencionando que não confia plenamente nas atas que possam ser apresentadas por eles. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, responsável pela condução das eleições, justificou a demora na entrega das atas alegando que houve um ataque cibernético seguido de ações violentas da oposição, com o objetivo de desestabilizar o processo eleitoral. Ataque esse até agora não comprovado.
Celso Amorim, que esteve na Venezuela de 26 a 30 de julho para acompanhar as eleições, se reuniu tanto com Nicolás Maduro quanto com o principal líder da oposição, Edmundo González Urrutia. González, que contesta os resultados oficiais proclamados pelo CNE, se autodeclarou vencedor das eleições e recebeu apoio imediato de figuras como Donald Trump, nos EUA, e Javier Milei, na Argentina. A justiça venezuelana, por sua vez, está atualmente realizando um processo de verificação das atas entregues pelo CNE, ao mesmo tempo em que exige provas concretas de fraude por parte da oposição.
A posição de Amorim, que expressou dúvidas sobre a condução do processo eleitoral, reflete a complexidade e a polarização da situação política na Venezuela, trazendo novos questionamentos sobre a legitimidade dos resultados eleitorais e o papel dos observadores internacionais.
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