
Na última terça-feira (3), a Microsoft formalizou uma solicitação ao inspetor-geral da FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA) pedindo uma investigação sobre possíveis vazamentos de informações confidenciais à imprensa. A acusação surge após o jornal Bloomberg revelar, no dia 27 de novembro, detalhes da investigação antitruste que envolve várias divisões da gigante da tecnologia, incluindo computação em nuvem e inteligência artificial.
Rima Alaily, conselheira-geral adjunta da Microsoft, apontou diretamente para a FTC como responsável pelo vazamento, alegando que a ação viola o código de ética do órgão regulador. Em publicação no LinkedIn, Alaily compartilhou o documento enviado ao inspetor-geral e afirmou que as informações publicadas pelo Bloomberg “claramente vieram de alguém da FTC”. Ela também destacou um relatório recente do órgão que apontava um aumento nos vazamentos estratégicos de informações confidenciais.
A investigação em questão marca um retorno à análise das práticas comerciais da Microsoft, 25 anos após o histórico processo de monopólio envolvendo o Windows e o Internet Explorer. Desta vez, a FTC examina a integração do Microsoft Office com serviços em nuvem, como o OneDrive, além de questões de cibersegurança e impactos de apagões recentes que afetaram os serviços da empresa.
Essa solicitação de investigação contra a FTC reflete a postura combativa da Microsoft em casos de regulação. Alaily já acusou outras empresas, como o Google, de práticas de “astroturfing” — manipulação de opinião pública disfarçada de movimentos populares — para descredibilizar a Microsoft perante reguladores e legisladores. Curiosamente, em 2020, a Microsoft foi a única big tech a escapar das acusações de monopólio pelo subcomitê antitruste dos EUA, mas o cenário mudou nos últimos dois anos.
A parceria da Microsoft com a OpenAI e a polêmica compra da Activision atraíram atenção de órgãos reguladores tanto nos EUA quanto na Europa. Esses movimentos ampliaram as preocupações sobre a concentração de mercado e levaram à atual investigação abrangente da FTC, que agora inclui praticamente todas as áreas de atuação da empresa.
O desfecho do caso dependerá do próximo governo dos EUA. A administração de Donald Trump, conhecida por uma postura mais favorável às big techs, pode influenciar significativamente o rumo das ações regulatórias contra a Microsoft. Enquanto isso, a gigante da tecnologia tenta desviar os holofotes, acusando a FTC de minar a ética no processo investigativo.
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