
Dois episódios distintos envolvendo visitas a presos ganharam atenção pela similaridade em burlar protocolos de segurança: o de Vitória Marinho, no Piauí, e o da primeira-dama Rosângela da Silva, A Janja. Embora em contextos e proporções completamente diferentes, ambos os casos suscitam discussões sobre acesso irregular a detentos.
Em outubro de 2024, Vitória Marinho, namorada do traficante Vagner da Silva Carvalho, foi ao presídio piauiense utilizando a carteira de uma advogada para garantir acesso ao parceiro. A ousadia surpreendeu as autoridades, e o caso ganhou repercussão tanto pela audácia quanto pelo ineditismo na esfera criminal local.
O episódio envolvendo Rosângela da Silva, primeira-dama do Brasil, remonta a julho de 2018, quando Lula estava preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Na ocasião, Janja visitou o então namorado se apresentando como 'advogada', mesmo sem ter autorização formal para isso.
De acordo com o UOL, Janja não apresentou uma carteira da OAB, mas utilizou o subterfúgio de ser 'advogada' para ter acesso ao ex-presidente. Lula, que não via Janja havia 114 dias, fez uma brincadeira ao recebê-la: “Agora tenho uma nova advogada”.
As restrições à visitação estavam atreladas à Lei de Execução Penal, que prevê a entrada de cônjuges ou familiares, mas na época o relacionamento deles ainda não era público. Somente em dezembro de 2018, após negociações, Janja conseguiu visitas regulares, momento em que já levava refeições caseiras e roupas limpas para o ex-presidente.
Embora os atos de Vitória e Janja pareçam similares em termos de tentativa de burlar protocolos, os contextos e motivações são completamente distintos.
Vitória Marinho cometeu um crime explícito ao usar a carteira real de uma advogada, o que configura falsidade ideológica e infração grave em ambiente prisional.
Janja, por outro lado, utilizou-se de um artifício para visitar Lula, sem caracterizar crime, mas gerando debates éticos sobre as regras de visitação e privilégios políticos.
Ambos os episódios levantam questões sobre as fragilidades do sistema de segurança e a possibilidade de concessões excepcionais, seja por amor, influência, ousadia ou crime.
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