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Polícia OPERAÇÃO CRIBELO

Corrupção em exame de CNH: operação desmantela esquema envolvendo Detran e autoescolas

Servidores marcavam candidatos e recebiam propinas em esquema documentado com vídeos e áudios; 17 presos e dois centros interditados

28/11/2024 às 08h59
Por: Douglas Ferreira
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As fraudes na emissão de CNH no Detran/PI são recorrente - Foto: Reprodução
As fraudes na emissão de CNH no Detran/PI são recorrente - Foto: Reprodução

Fraude sistêmica e institucional
Esquemas de corrupção no Detran/PI seguem enraizados e se adaptam para evitar detecção, mas a Operação Cribelo, deflagrada nesta quinta-feira (28), expôs as entranhas desse sistema criminoso. Em uma ação conjunta entre a Superintendência de Operações Integradas (SOI), Polícia Civil e Polícia Militar, 17 pessoas foram presas e dois Centros de Formação de Condutores (CFCs) foram interditados, além de afastamento de servidores públicos e apreensão de bens.

A operação, resultado de 10 meses de investigação, revelou a participação de instrutores de autoescolas, despachantes e examinadores do Detran em um esquema que cobrava propinas de candidatos para garantir a aprovação no exame de habilitação, mesmo sem aptidão.

Como funcionava o esquema
Os candidatos eram identificados com marcas nas mãos, permitindo que examinadores previamente subornados os aprovassem. Vídeos e áudios obtidos pela investigação mostram servidores recebendo pagamentos discretamente e instrutores orientando candidatos sobre o funcionamento da fraude.

Segundo o delegado Filipe Bonavides, o esquema era meticulosamente organizado, com provas documentadas que incluem quebras de sigilo bancário e fiscal. “Essas práticas eram recorrentes e cuidadosamente mantidas em sigilo, o que mostra o nível de profissionalismo do grupo criminoso”, afirmou.

Impactos e desdobramentos
O bloqueio de atividades das autoescolas envolvidas e o afastamento de servidores visam frear a continuidade das fraudes. Os envolvidos responderão por corrupção passiva, ativa e associação criminosa. No entanto, a operação também reacende críticas sobre a incapacidade do Detran de prevenir a repetição contumaz de esquemas semelhantes, que já são alvo de denúncias recorrentes.

A pergunta que persiste é: até quando as instituições permitirão que práticas tão graves sigam como parte de uma "normalidade" institucionalizada?

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