
Pouco define melhor a esquerda brasileira do que as contradições em seus discursos, promessas e ações. Governantes e militantes frequentemente assumem posturas que, na prática, diferem daquilo que condenavam ou defendiam. Como diz o ditado: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", cai como uma luva para a esquerda e os esquerdistas de plantão.
Um exemplo notável é a postura do presidente Luiz da Silva, que criticava as queimadas na Amazônia e no Pantanal durante o governo Bolsonaro. No entanto, sob sua gestão em 2024, os registros de queimadas nesses biomas atingiram recordes, 'nunca antes vistos na história desse país'. E os Ianomâmis? Durante a campanha e os primeiros meses de governo, o PT e seus aliados acusaram o governo anterior de genocídio contra esse povo indígena. Contudo, dados de 2023 e 2024 mostram que as taxas de mortalidade entre os Ianomâmis, especialmente entre crianças, superaram as dos anos anteriores. Quem afinal é genocida para nesse caso?
A gestão de vacinas é outro ponto de conflito. Bolsonaro foi duramente criticado pela condução da pandemia, acusado de negligência e até de genocídio. No entanto, sob o governo Lula, 6,4 milhões de doses de vacinas contra a Covid 19 venceram. Na verdade foram incineradas 10,9 milhões de imunizantes, a maioria contra a frebre amarela, tétano, gripe e outras doenças. Isso, enquanto o país enfrenta recordes de mortes por dengue devido à falta de ação na compra de imunizantes. Fica a pergunta: o que teria ocorrido se a esquerda estivesse no poder durante a pandemia?
Segundo um amigo socialista e lulista de carteirinha: “treino é treino e jogo é jogo”. Essa frase ilustra bem a visão que muitos têm da esquerda: o que é inaceitável nos outros torna-se justificável quando ocorre entre aliados.
O indiciamento de Jair Bolsonaro e aliados por suposto planejamento de golpe em 8 de janeiro de 2023 reacendeu o uso do bordão "sem anistia" por parte da esquerda. O argumento seria que o perdão aos envolvidos seria um precedente perigoso. Mas o que dizer da anistia concedida a Lula, Dilma e Cia Ltda pelos crimes cometidos no perido do regime militar no Brasil?
Recentemente, condenado a mais de 20 anos de prisão por corrupção e ocultação de patrimônio, na Operação Lava Jato, Lula cumpriu menos de dois anos, 580 dias para ser mais preciso, antes de ser beneficiado por mudanças no entendimento jurídico promovidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Suas condenações foram anuladas com base em questões processuais, enquanto os crimes prescreveram antes de um novo julgamento. Vale salientar que Lula não foi inocentado, mas apenas e, tão somente, "descondenado".
Para o ministro Gilmar Mendes, o STF devolveu a política aos políticos ao liberar Lula para se candidatar. Isso, depois de Gilmar ter definido a política esquerdista no país, como uma "cleptocracia". Contudo, críticos argumentam que essa decisão não apenas reforçou um sentimento de impunidade, mas também acirrou divisões políticas no Brasil.
A contradição se evidencia em outras situações, como o Projeto de Lei da Anistia. A esquerda é radicalmente contra a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mas defendeu fervorosamente a anistia para militantes de esquerda que atuaram contra o regime militar. Entre eles, estavam pessoas responsáveis por roubos, sequestros e mortes nos chamados "justiçamentos", durante o que se convencionou chamar de "anos de chumbo".
Afinal, Dilma Rousseff e Lula mereceram a anistia? Para a esquerda, o mesmo crime pode ter diferentes interpretações, dependendo de quem o cometeu. Corrupção, dinheiro escondido em malas ou na cueca, e alianças questionáveis são frequentemente relativizados em nome de uma causa que nem sempre é clara. Para o presidente Lula da Silva, "a democracia é relativa".
O governo Lula é acusado de reforçar a sensação de impunidade, um ponto também levantado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Curiosamente, ao cobrar punições aos envolvidos em crimes, Costa parece ignorar que a soltura de Lula e a reversão de condenações de outros envolvidos na Lava Jato consolidaram essa percepção de que o sistema favorece os poderosos.
Desde que Lula foi beneficiado, o STF, anulou ou revisou processos de mais de 115 condenados pela Lava Jato, envolvendo ressarcimentos de bilhões de reais ao Estado brasileiro. E veja que a maioria era réu confesso, viciados em corrupção como declarou o hoje livre, leve e solto, Sérgio Cabral, mesmo tendo sido condenado a mais de 420 anos de prisão.
A esquerda, que clama por justiça e responsabilidade, muitas vezes se depara com suas próprias contradições. A pergunta que fica é: “Sem anistia” vale para todos, ou há exceções para aqueles que detêm o poder?
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