
A brutal morte das irmãs Joicinéia Dias da Silva, de 23 anos, e Francinete Pereira da Silva Neta, de 24 anos, segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Novas evidências indicam que uma mulher, que não teve o nome revelado, pode ter desempenhado papel ativo na tortura das vítimas, um crime que está sendo associado a práticas do chamado "tribunal do crime".
Desaparecidas desde o dia 13 de novembro, as irmãs foram vistas pela última vez saindo de casa na região da Santa Maria da Codipi, zona Norte de Teresina. Elas estavam acompanhadas de duas crianças, uma de 4 anos, filha de uma das vítimas, e outra de 6 anos, filho da outra irmã.
Relatos sugerem que as mulheres foram atraídas para um encontro com membros de uma facção criminosa rival àquela à qual os seus companheiros, atualmente presos, estariam ligados. As crianças foram abandonadas em segurança - a menina de 4 anos deixada em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e o menino de 6 anos na casa de familiares.
Os corpos das irmãs foram encontrados no sábado, dia 16 de novembro, em uma cova rasa, na região da Santa Maria da Codipi. Evidências apontam que elas foram torturadas antes de serem mortas. Imagens obtidas mostram uma das vítimas com ferimentos no rosto e cabelo cortado, o que reforça os indícios de violência extrema.
O delegado Francisco Baretta confirmou que uma mulher teria participado diretamente das sessões de tortura, inclusive cortando os cabelos das vítimas. “Recebemos informações de que uma das irmãs foi atingida por um tiro na perna antes de sofrer tortura”, afirmou Baretta.
No local do crime, foi encontrada uma estaca de madeira com vestígios de sangue, sugerindo que tenha sido usada como instrumento de tortura.
As vítimas teriam sido submetidas ao julgamento de um "tribunal do crime", prática comum entre facções criminosas para punir infrações contra seus códigos de conduta. A suspeita é de que as irmãs tenham sido acusadas de colaborar com grupos rivais, levando à decisão pela tortura e execução.
O delegado Baretta destacou que a Polícia Civil já identificou suspeitos e segue trabalhando para prender os envolvidos. “Estamos adotando todas as medidas cautelares e seguimos firmes para garantir que esses criminosos sejam responsabilizados e permaneçam na cadeia”, declarou.
O crime chocou a população de Teresina, sobretudo, da grande Santa Maria da Codipi, evidenciando mais uma vez a atuação brutal de facções criminosas na região. Casos como esse levantam questões sobre segurança pública, a proteção de moradores vulneráveis e o papel de organizações criminosas em áreas periféricas.
Enquanto as autoridades avançam na apuração, a comunidade local exige justiça para Joicinéia e Francinete, além de medidas mais efetivas para conter o avanço do crime organizado, na capital. O caso das irmãs é um alerta sobre a necessidade urgente de políticas de segurança que protejam vidas e desarticulem os "tribunais do crime".
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