
Quatro dias após ser abordado para esclarecer o primeiro grande caso de suspeita de corrupção no atual governo do Piauí, o Palácio de Karnak continua a dar o silêncio por resposta. A denúncia, que envolve diretamente as Secretarias de Educação e Segurança Pública, o Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), a Polícia Militar do Piauí, e uma empresa de construção civil, levanta sérias questões sobre a integridade dos contratos públicos com Estado.
O epicentro da controvérsia é a Construtora Rosacon, cujo proprietário oficial, Erton Hermes Fontinelli Rêgo Júnior, de 37 anos, está interditado judicialmente desde 2017, sendo considerado incapaz para a vida civil. Apesar disso, a empresa sob seu nome firmou 14 contratos com o governo do Piauí, totalizando mais de R$ 201 milhões. A situação é ainda mais intrigante, considerando que uma pessoa interditada, teoricamente, não teria capacidade legal para administrar uma empresa, muito menos para celebrar contratos de valor tão elevado com o Estado.
A denúncia, que veio à tona através do site O Bastidor, revelou documentos que indicam a assinatura digital de Erton em todos os contratos. A Rosacon, que tem sede em Teresina e um capital social de R$ 7 milhões, está registrada no nome de Erton desde 2022. No entanto, a história da empresa e de seus proprietários levanta sérias dúvidas sobre a legitimidade dessas transações.
O silêncio do governo, liderado pelo governador Rafael Fonteles, levanta suspeitas e preocupa a sociedade piauiense. Em um contexto onde a transparência e a responsabilidade são fundamentais para a confiança pública, a ausência de explicações por parte do governo do Estado pode minar a credibilidade de sua gestão.
Apesar de O Bastidor não acusar diretamente o governo de qualquer crime, a situação em que uma pessoa interditada assina contratos milionários com o Estado é, no mínimo, curiosa e exige esclarecimentos, uma vez que tal assinatura não tem valor jurídico nenhum. O Palácio de Karnak deve à população uma resposta clara e objetiva para garantir que a administração pública esteja sendo conduzida com a seriedade e o rigor que a situação exige.
A falta de respostas pode agravar, ainda mais, o cenário já complexo da política local, onde a transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos estão em constante escrutínio. Entendemos que ninguém pode ser considerado culpado sem que seja oportunizado a ele o direito ao contraditório e à ampla defesa dentro do devido processo legal.
Entretanto, o site O Bastidor entrou em contato com Erton Júnior e os demais envolvidos e todos desligaram o telefone. Já, o Palácio de Karnak, quatro dias depois de também ter sido procurado pelo site não se manifestou, pelo menos publicamente.
O Gazeta Hora1 que teve acesso à denúncia, à gravação judicial de interdição de Erton e de outros documentos, assegura ao governo do Estado e demais interessados o espaço para quaisquer esclarecimentos ou justificativas para o caso.
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