
O domínio de facções criminosas na periferia de Teresina tem levado a cidade a uma realidade de violência aterradora. A prática do chamado "tribunal do crime", em que criminosos julgam, condenam e executam pessoas comuns, teve um desfecho trágico com o assassinato brutal da cabeleireira Aryadina Montenegro. Mas como Aryadina foi escolhida para essa execução? Em que "crime" ela teria incorrido segundo o PCC?
Aryadina Montenegro foi alvo da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que considerou sua residência em uma área dominada pela facção rival, o Bonde dos 40, como motivo suficiente para punição fatal. Acusados de associação ao PCC, Orlando da Costa Silva, Carlos Daniel Martins de Sousa e Francisco das Chagas Nunes da Silva foram indiciados pelo Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) por assassinato com extrema brutalidade e motivos fúteis, além de corrupção de menores.
Na madrugada de 22 de julho, no bairro São Joaquim, zona norte de Teresina, Aryadina foi submetida a uma execução horrenda. Com apoio de um adolescente de 16 anos, os criminosos a agrediram violentamente, desfigurando seu rosto até a morte. Seu corpo foi encontrado apenas na manhã seguinte, em uma área de lagoa próxima à sua casa.
Orlando da Costa Silva, um dos acusados, possui um histórico criminal extenso. Em agosto de 2023, ele foi condenado a mais de 21 anos de prisão pelo assassinato de Francisco da Silva Brito, mas obteve liberdade provisória para responder ao processo. Além disso, ele está envolvido em outros dois homicídios, demonstrando o padrão de impunidade que marca a violência na cidade.
A prática do "tribunal do crime" não é apenas uma forma de imposição de poder, mas também um instrumento de medo e controle sobre as comunidades periféricas. Em áreas onde a presença do Estado é insuficiente, facções como o PCC assumem o "controle" da justiça, decidindo quem vive ou morre. A tragédia de Aryadina Montenegro expõe uma ferida profunda na sociedade: a convivência da população com julgamentos sumários e execuções brutais, que raramente recebem a atenção devida.
Esse caso traz à tona a urgência de uma resposta eficaz contra as facções e sua influência sobre os bairros periféricos de Teresina, onde a lei do mais forte e o medo sufocam qualquer esperança de paz e segurança.
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