
O ex-governador de São Paulo, João Doria, está em busca de reconstruir sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o jornal O Globo, Doria enviou uma carta escrita à mão ao presidente, onde pede desculpas por “exageros e equívocos” cometidos em sua relação com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A carta foi entregue por Alckmin, sinalizando o desejo de Doria em reatar laços políticos e pessoais.
Conforme a reportagem, Lula leu a carta de Doria e reconheceu o gesto. Embora tenha deixado claro que não guarda rancor, o presidente considerou improvável uma relação de amizade entre os dois, dado o histórico de rivalidade política. Esse movimento de aproximação faz parte de um esforço de Doria para fortalecer vínculos e corrigir desavenças passadas.
Nos últimos meses, Doria também buscou reconciliar-se com antigos aliados, incluindo Alckmin, com quem manteve uma conversa em sua casa. Além disso, se reaproximou de figuras como Rodrigo Garcia, seu ex-vice, e Bruno Araújo, ex-presidente do PSDB. Ele se declarou “João Conciliador,” em uma referência ao antigo slogan de campanha “João Trabalhador,” destacando que agora pretende se focar nas atividades empresariais.
Atualmente, Doria voltou a comandar o grupo empresarial Lide, que reúne líderes empresariais e políticos. Para se associar ao Lide, empresas precisam ter um faturamento mínimo de R$ 200 milhões anuais. Recentemente, o ex-governador tem organizado eventos com a presença de personalidades influentes, como o ex-presidente Michel Temer e ministros do Supremo Tribunal Federal, evidenciando sua intenção de manter relações no mundo político, mesmo fora de cargos públicos.
Apesar de afirmar ter deixado a política, Doria mantém contatos frequentes com membros do governo Lula. Em sua mansão no Jardim Europa, ele recebeu discretamente ministros como Alexandre Padilha e Paulo Pimenta. Ele também se reaproximou de figuras do governo como Marina Silva e Fernando Haddad, além de fortalecer laços com governadores petistas como Fátima Bezerra e Rafael Fonteles, que agora participam de eventos do Lide.
Além disso, Doria conseguiu a participação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em uma reunião do Lide, embora ainda haja resistência entre alguns integrantes do governo. Mesmo sem uma resposta de Lula à sua carta, o ex-tucano parece satisfeito com o gesto de aproximação. “Minha alma é conciliadora,” disse. “Não tenho ódio de ninguém e não pretendo reviver conflitos. Se Lula leu, ótimo. Estou em paz e espero que ele também esteja.”
Com essa reaproximação, João Doria busca consolidar um novo papel como articulador no setor privado, preservando sua influência entre líderes políticos e empresariais, enquanto busca projetar uma imagem de reconciliação e diplomacia.
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