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Política LAVA JATO

STF anula condenações de José Dirceu na “Lava Jato” e restaura direitos políticos

Decisão de Gilmar Mendes aponta parcialidade de Sergio Moro e reverte a inelegibilidade do ex-ministro, que poderá retomar a vida política

29/10/2024 às 13h35 Atualizada em 30/10/2024 às 09h09
Por: Wagner Albuquerque
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José Dirceu - Foto: Reprodução
José Dirceu - Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta segunda-feira (28) todos os atos processuais do ex-juiz Sergio Moro em duas ações penais envolvendo o ex-ministro José Dirceu no contexto da operação Lava Jato. Com essa decisão, Dirceu poderá, na prática, reverter sua inelegibilidade e deixar de ser considerado ficha suja, restaurando assim seus direitos políticos.

Em maio, Dirceu já havia obtido uma vitória no STF, quando a Segunda Turma do tribunal extinguiu sua pena por corrupção passiva relacionada à Lava Jato. No entanto, ele continuava inelegível devido à Lei da Ficha Limpa, pois ainda havia recursos pendentes no Superior Tribunal de Justiça (STJ) aguardando julgamento. A decisão atual, mantida sob segredo de justiça, impacta diretamente esses recursos, favorecendo a retomada de seus direitos políticos.

Gilmar Mendes baseou sua decisão em indícios de falta de imparcialidade por parte de Sergio Moro nos processos contra figuras políticas, como José Dirceu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o ministro, os procuradores da Lava Jato, em conjunto com Moro, teriam arquitetado uma estratégia para usar a condenação de Dirceu como suporte nas denúncias posteriores contra Lula. Isso, segundo Mendes, indica uma coordenação que comprometia a isenção necessária para garantir julgamentos justos e imparciais.

A decisão também destaca que o ex-juiz Moro nutria ambições políticas, afastando-se da magistratura com a intenção de concorrer a cargos públicos eletivos. Gilmar Mendes afirma que a atuação de Moro e dos procuradores visava alimentar uma insatisfação popular contra políticos e instituições, construindo uma imagem alternativa que beneficiaria suas futuras aspirações políticas. Moro, hoje senador, sempre negou tais acusações, defendendo que atuou de maneira justa e imparcial.

Por fim, a defesa de José Dirceu declarou que ele recebeu a decisão do STF com tranquilidade, confiando na imparcialidade do tribunal. O advogado Roberto Podval ressaltou que a decisão reflete a falta de imparcialidade da Lava Jato, ao constatar que os processos contra Dirceu tinham o objetivo de fortalecer as denúncias contra Lula.

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