
O uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) por autoridades dos Três Poderes, prática fortemente combatida na gestão passada, do presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo no atual governo de Lula. O que era para ser uma exceção, reservado para emergências ou compromissos oficiais, tornou-se rotina. Ministros, presidentes do Senado, Câmara e Supremo Tribunal Federal (STF) estão entre os principais beneficiários desse privilégio, dessa mordomia, acumulando mais de 1.300 voos apenas este ano. Esse 'festival de voos' nas asas da FAB evidencia um uso indiscriminado das aeronaves, agora apelidado de FABtur.
O grande problema é que os critérios para o uso desses jatinhos são nebulosos. As justificativas oficiais são raras, quando não inexistentes, e os dados disponíveis mostram que as viagens muitas vezes são desprovidas de urgência ou relevância pública. A questão central é: por que autoridades que deveriam dar exemplo de austeridade fazem uso tão frequente desses recursos públicos onerosos?
O caso mais emblemático é o do presidente do STF, Luis Roberto Barroso, que acumulou 104 viagens este ano. Atrás dele, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, requisitou oito voos apenas em outubro, tornando-se o 'viajante do mês'. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro da Defesa, José Múcio, também fazem parte do clube de quem abusa da mordomia aérea, com 88 e 92 viagens, respectivamente.
Diante desse cenário de abuso, chama a atenção o silêncio do governo federal. Enquanto o uso dessas aeronaves se multiplica, com pouco ou nenhum controle, o presidente Lula da Silva não só não criticou a prática, mas anunciou a compra de novos jatos, inclusive um para seu próprio uso, o “aerolula”. A decisão agrava ainda mais as já fragilizadas contas públicas, impactadas por um rombo fiscal crescente.
Essa combinação de gastos elevados com aeronaves, falta de critério e a expansão da frota oficial questiona as prioridades do governo. No momento em que a população enfrenta uma crise econômica e o governo tenta fechar as contas, cortando verbas da educação, saúde, farmácia popular, programas sociais, os excessos cometidos pelas autoridades públicas geram desconfiança e insatisfação.
O mais alarmante é que, ao fim, quem arca com esses custos é o contribuinte. Cada voo desses jatinhos onera o erário, e o aumento no uso dessas aeronaves é uma afronta ao cidadão comum que lida diariamente com a alta do custo de vida e os desafios econômicos. O abuso do uso da FAB é mais um símbolo do distanciamento das elites políticas das reais necessidades da população, além de ser uma violação do princípio de economicidade que deveria guiar o uso dos recursos públicos.
O que se espera é uma revisão urgente dessa prática, com maior transparência e rigor no uso de aeronaves públicas. O abuso já foi longe demais e cobra seu preço não apenas no campo financeiro, mas também na confiança da população em seus representantes.
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