
O ex-deputado federal José Maia Filho, o Mainha, que até recentemente ocupava o cargo de superintendente de Desenvolvimento Econômico da Invest Piauí, na gestão do governador Rafael Fonteles, decidiu abandonar o posto de maneira contundente. Conhecido por sua postura calma e pela inteligência emocional, Mainha surpreendeu ao sair atirando contra o governo, em entrevista à Central Piauí. Suas declarações revelam descontentamento profundo e preocupações graves com a gestão atual, acusando Fonteles de falta de compromisso e ação para o crescimento do Estado.
"Eu me envergonho de ter feito parte disso", afirmou o ex-deputado, sem meias palavras. Segundo Mainha, o governo de Fonteles é um verdadeiro “faz de conta”, marcado por promessas vazias e poucas realizações concretas. Em sua análise, o maior adversário do governador é ele próprio, incapaz de entregar resultados efetivos para a população. “O povo vai abrir os olhos e se perguntar: ‘Ah, quer dizer que não tem porto? Quer dizer que não existe hidrogênio verde?’”, declarou, em tom de denúncia.
Mainha ainda criticou duramente a postura do governo frente a oportunidades de desenvolvimento econômico. Ele citou o caso de um investidor da indústria de castanha de caju que, por falta de iniciativa do governo, optou por investir no Ceará, em vez de no Piauí, onde teriaa sido 'abraçado' pelo governo cearense. "O governador não tem vontade de fazer o Piauí crescer", disparou, reforçando que a atual administração não tem conseguido atrair investidores ou implementar projetos estruturantes que realmente beneficiem o Estado.
As críticas de Mainha vão além de meros ressentimentos políticos. Ele expõe questões que merecem uma reflexão mais ampla por parte da sociedade piauiense. Após quase dois anos de gestão, o governo Fonteles tem pouco a mostrar em termos de realizações significativas. Entre as promessas, o Porto Piauí é um exemplo emblemático do que ele chama de "fantasias governamentais". Segundo o ex-deputado, a ideia de um entreposto pesqueiro permanece apenas no papel, sem qualquer progresso concreto, e o tão propagado "Porto Piauí" se resume a um letreiro sem substância.
Mainha questiona também as obras estruturantes prometidas pelo governo. E de fato, Mainha tem razão, importantes projetos, como o rebaixamento da Avenida João XXIII, o elevado do Mercado do Peixe e a duplicação da BR 316, são legados de administrações anteriores. “O que mesmo o governador Rafael Fonteles inaugurou como obra dele até agora no Piauí? Nadica de nada”. Irônico, né?
Outro ponto de destaque nas críticas de Mainha é a questão do hidrogênio verde, uma das bandeiras levantadas pela gestão Fonteles. Apesar das promessas de desenvolvimento sustentável e geração de empregos, o ex-deputado questiona a ausência de ações concretas e investimentos. E a pergunta que fica é: "Cadê as empresas, os investidores? Quando vão abrir o canteiro de obras?" é o que todo o Piauí questiona o tempo todo.
Mainha deixou claro que seu rompimento com o governo não é isolado, mas sim o reflexo de uma gestão que, segundo ele, caminha sem direção. Com mais dois anos de mandato pela frente, Fonteles pode ser surpre seguir seu exemplo e "pular do barco" diante da insatisfação com o rumo do governo.
Suas declarações, embora duras, convidam a uma análise crítica sobre o que realmente está sendo feito pelo Piauí. Se as palavras de Mainha são ou não fruto de um ressentimento pessoal, o fato é que a gestão de Rafael Fonteles precisa enfrentar, com transparência e seriedade, os desafios que se avolumam e a cobrança da população que espera por resultados concretos.
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