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Polícia CRIME ORGANIZADO

Conheça o modus operandi da quadrilha desbaratada pela Polícia Civil do Piauí

Esquema trazia droga do Amazonas e abastecia o Piauí e parte do Nordeste com a maconha skank

25/10/2024 às 16h05 Atualizada em 25/10/2024 às 16h40
Por: Douglas Ferreira
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A Operação DENARC 60 prendeu 17 pessoas e apreendeu muitos veículos de luxo - Foto: Reprodução
A Operação DENARC 60 prendeu 17 pessoas e apreendeu muitos veículos de luxo - Foto: Reprodução

A Operação DENARC 60, coordenada pelo delegado Samuel Silveira, desvendou o modus operandi de uma facção criminosa que abastecia o mercado piauiense e parte do nordestino com drogas oriundas da Bolívia. A investigação revelou uma organização com estrutura hierárquica complexa e parceria entre facções, envolvendo a Família do Norte (FDN) e o Bonde dos 40, ambos com forte atuação no tráfico de drogas.

O chefe da organização criminosa, Leandro Santos Chaves, é apontado como o responsável pela aquisição e distribuição das drogas, que atravessavam fronteiras e percorriam o Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí, para abastecer o tráfico em boa parte da região Nordeste. Leandro, que ostentava uma vida de luxo nas redes sociais, encontra-se foragido, com mandados de prisão em aberto.

A logística do tráfico

Segundo as investigações, a droga era transportada por terra, em caminhões preparados com compartimentos secretos chamados “mocós”, feitos em uma oficina na zona Norte de Teresina. O esquema de transporte envolvia rotas que partiam da Bolívia, passando pelo Amazonas, até chegar ao Piauí, onde a droga era distribuída em bocas de fumo em Teresina e outras cidades nordestinas.

Parte do que foi apreendido com os traficantes - Foto: Reprodução

O delegado Jarbas Lima, responsável pelo inquérito, explicou que os caminhões eram adaptados para esconder os entorpecentes em locais específicos, e em pneus, dificultando a identificação durante fiscalizações. Esse processo de transporte clandestino se mostrou altamente sofisticado, evidenciando o nível de organização da facção.

Lavagem de dinheiro: o branqueamento de capitais

Além do tráfico de drogas, a operação revelou um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia empresários locais. Empresas de revenda de veículos e sucatas eram usadas para "branquear" os recursos oriundos do tráfico. Jocélio Mendes de Oliveira Filho e Gilberto Maiony Lima Torres, empresários já conhecidos em outras investigações, desempenhavam papel fundamental na lavagem de capitais, transformando o dinheiro do tráfico em bens e ativos aparentemente legais.

Resultados da operação

A operação resultou na prisão de 17 pessoas e na apreensão de 47 veículos de luxo, incluindo carros, motocicletas e motonáuticas. Também foi bloqueado um montante estimado em R$ 200 milhões, como parte da estratégia de "asfixiar economicamente" a organização, segundo o delegado Samuel Silveira.

Apesar das prisões e apreensões, o líder da facção, Leandro Santos Chaves, segue foragido, tornando-se um dos principais alvos das autoridades. Sua captura é vista como fundamental para o desmantelamento completo do esquema de tráfico que, por anos, abasteceu o mercado de drogas no Nordeste brasileiro.

Parcerias criminosas e impacto regional

O envolvimento das facções Família do Norte e Bonde dos 40 mostra como o tráfico de drogas no Brasil é um fenômeno interestadual e internacional, com organizações criminosas se aliando para fortalecer suas operações. O desmonte desse esquema representa um golpe significativo no tráfico de drogas da região, mas também expõe a complexidade das redes criminosas que, mesmo desmanteladas, podem se reestruturar.

Com os desdobramentos da Operação DENARC 60, as autoridades esperam conter o fluxo de drogas para o Nordeste e intensificar as investigações para desmantelar outras células criminosas que possam estar envolvidas no esquema.

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