
A Operação DENARC 60, coordenada pelo delegado Samuel Silveira, desvendou o modus operandi de uma facção criminosa que abastecia o mercado piauiense e parte do nordestino com drogas oriundas da Bolívia. A investigação revelou uma organização com estrutura hierárquica complexa e parceria entre facções, envolvendo a Família do Norte (FDN) e o Bonde dos 40, ambos com forte atuação no tráfico de drogas.
O chefe da organização criminosa, Leandro Santos Chaves, é apontado como o responsável pela aquisição e distribuição das drogas, que atravessavam fronteiras e percorriam o Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí, para abastecer o tráfico em boa parte da região Nordeste. Leandro, que ostentava uma vida de luxo nas redes sociais, encontra-se foragido, com mandados de prisão em aberto.
Segundo as investigações, a droga era transportada por terra, em caminhões preparados com compartimentos secretos chamados “mocós”, feitos em uma oficina na zona Norte de Teresina. O esquema de transporte envolvia rotas que partiam da Bolívia, passando pelo Amazonas, até chegar ao Piauí, onde a droga era distribuída em bocas de fumo em Teresina e outras cidades nordestinas.
O delegado Jarbas Lima, responsável pelo inquérito, explicou que os caminhões eram adaptados para esconder os entorpecentes em locais específicos, e em pneus, dificultando a identificação durante fiscalizações. Esse processo de transporte clandestino se mostrou altamente sofisticado, evidenciando o nível de organização da facção.
Além do tráfico de drogas, a operação revelou um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia empresários locais. Empresas de revenda de veículos e sucatas eram usadas para "branquear" os recursos oriundos do tráfico. Jocélio Mendes de Oliveira Filho e Gilberto Maiony Lima Torres, empresários já conhecidos em outras investigações, desempenhavam papel fundamental na lavagem de capitais, transformando o dinheiro do tráfico em bens e ativos aparentemente legais.
A operação resultou na prisão de 17 pessoas e na apreensão de 47 veículos de luxo, incluindo carros, motocicletas e motonáuticas. Também foi bloqueado um montante estimado em R$ 200 milhões, como parte da estratégia de "asfixiar economicamente" a organização, segundo o delegado Samuel Silveira.
Apesar das prisões e apreensões, o líder da facção, Leandro Santos Chaves, segue foragido, tornando-se um dos principais alvos das autoridades. Sua captura é vista como fundamental para o desmantelamento completo do esquema de tráfico que, por anos, abasteceu o mercado de drogas no Nordeste brasileiro.
O envolvimento das facções Família do Norte e Bonde dos 40 mostra como o tráfico de drogas no Brasil é um fenômeno interestadual e internacional, com organizações criminosas se aliando para fortalecer suas operações. O desmonte desse esquema representa um golpe significativo no tráfico de drogas da região, mas também expõe a complexidade das redes criminosas que, mesmo desmanteladas, podem se reestruturar.
Com os desdobramentos da Operação DENARC 60, as autoridades esperam conter o fluxo de drogas para o Nordeste e intensificar as investigações para desmantelar outras células criminosas que possam estar envolvidas no esquema.
SIGILO TELEFÔNICO Celular de vereadora presa com R$ 500 mil será periciado pela Polícia Federal
ANDRÉ FERNANDES Plantação de maconha intacta após operação expõe dúvidas e cobra explicações do Governo do Ceará
ARENA DAS DUNAS Evento de Janja termina com deputada do PT ferida e expõe contradição no discurso da esquerda Mín. 21° Máx. 35°