
O WhatsApp, um dos aplicativos de mensagens mais populares do mundo, não cobra assinatura, não exibe anúncios e oferece downloads gratuitos. Mas como ele gera receita? E o que levou o Facebook a comprar o app por impressionantes R$ 19 bilhões em 2014? A resposta está no poder dos dados e no potencial de negócios que o aplicativo oferece.
Fundado em 2009 por Brian Acton e Jan Koum, ex-funcionários do Yahoo!, o WhatsApp inicialmente cobrava uma taxa simbólica de US$ 1 por instalação em alguns países, ou uma assinatura anual de US$ 1 em outros. No Brasil, porém, o uso era completamente gratuito. Em 2014, quando o Facebook adquiriu o app, o WhatsApp contava com 600 milhões de usuários, mas gerava uma receita anual de apenas US$ 1,3 milhão — uma fração mínima do valor pago na compra.
A aquisição do WhatsApp pelo Facebook levantou muitas dúvidas, já que o app em si não gerava grandes receitas. A principal justificativa para o alto investimento está no “big data”. Com o enorme volume de dados gerados pelos usuários, o Facebook passou a analisar comportamentos e integrar informações entre suas plataformas, como Facebook, Instagram e WhatsApp. Essa integração é utilizada, por exemplo, para sugerir amizades e, principalmente, para otimizar a publicidade, uma das maiores fontes de receita da Meta, controladora do Facebook.
Em 2016, o WhatsApp começou a compartilhar dados com o Facebook, ajudando a aprimorar essas integrações. Dois anos depois, em 2018, o WhatsApp Business foi lançado. Essa versão voltada para empresas trouxe funcionalidades como respostas automáticas, organização de contatos e estatísticas de interação, permitindo que negócios melhorassem o atendimento ao cliente. Apesar de ser gratuito, o WhatsApp Business introduziu cobranças por alguns recursos, o que começou a gerar receita para a empresa.
A principal fonte de renda do WhatsApp hoje vem de sua API para grandes empresas, que cobra por mensagens entregues. O aplicativo se tornou uma importante ferramenta de comunicação entre empresas e consumidores, sendo utilizado para diversos serviços, como a compra de passagens de ônibus na Índia. Além disso, empresas podem pagar para que anúncios no Facebook ou Instagram iniciem uma conversa no WhatsApp, o que já gera “vários bilhões de dólares” em receita, segundo Nikila Srinivasan, vice-presidente de business messaging da Meta.
Com esses avanços, o WhatsApp se consolidou como uma plataforma estratégica para o ecossistema de negócios da Meta, que capitaliza a gigantesca base de usuários e o poder de integração de dados entre suas plataformas.
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