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Teresina, PI

Polícia O GOLPE DO CÂNCER

Técnica de enfermagem é investigada por golpes que teriam causado prejuízos superiores a R$ 300 mil

Relatos de vítimas apontam empréstimos, dívidas bancárias e pedidos de dinheiro sustentados por histórias de câncer, cirurgias e ameaças de facções

31/10/2026 às 12h14
Por: Douglas Ferreira
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Técnica de enfermagem é acusada de uma série de golpes - Foto: Reprodução
Técnica de enfermagem é acusada de uma série de golpes - Foto: Reprodução

A prisão da técnica de enfermagem Patrícia Vieira da Silva, no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), trouxe à tona relatos de pessoas que afirmam ter perdido grandes quantias de dinheiro após confiar em histórias de doenças graves e dificuldades financeiras. O caso chama atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas pela maneira como a confiança e a solidariedade teriam sido utilizadas para conseguir dinheiro.

Segundo as denúncias, Patrícia dizia estar com câncer e precisar de recursos para cirurgias, exames e quimioterapia. Em outras ocasiões, afirmava que a própria mãe estava doente ou que sofria ameaças de integrantes de facções criminosas.

A relatos de três mulheres - ao portal GP! - que relatam prejuízos financeiros. Os depoimentos apresentam um roteiro semelhante: pedidos insistentes de ajuda, apelos emocionais e promessas de pagamento que, segundo as vítimas, não foram cumpridas.

Prejuízo superior a R$ 300 mil

O relato mais expressivo é o de Antônia Matos, amiga e comadre da investigada. Ela afirma que contraiu empréstimos bancários, emprestou cartões de crédito e assumiu compromissos financeiros depois de acreditar que Patrícia enfrentava um câncer.

Entre as operações estão empréstimos de R$ 41,3 mil e R$ 6,1 mil, além de um consignado e uma renovação de crédito de R$ 64,8 mil. Antônia afirma que Patrícia pagou apenas parte das parcelas e depois deixou de cumprir os acordos.

Para tentar honrar as dívidas, a vítima conta que vendeu cabeças de gado e retirou dinheiro da poupança. Sua estimativa é de que o prejuízo total ultrapasse R$ 300 mil, considerando empréstimos, encargos e outros compromissos assumidos.

Outras vítimas também relatam perdas

Francisca Érika, que trabalhou com Patrícia em uma UTI, afirma que a investigada teria utilizado seu celular para contratar um empréstimo de aproximadamente R$ 16 mil. Com juros e encargos, a dívida chegaria a cerca de R$ 53 mil.

Já Adelina Patrícia calcula ter perdido aproximadamente R$ 18 mil depois de sucessivos pedidos de dinheiro. Segundo ela, as justificativas envolviam problemas cardíacos da mãe da investigada e, posteriormente, um suposto câncer na tireoide.

A reportagem recebeu relatos de que mais de dez pessoas podem ter sido prejudicadas. A dimensão total dos prejuízos ainda depende da apuração policial.

Investigada atribuiu dívidas ao vício em jogos

Patrícia foi indiciada por estelionato em 8 de maio, após investigação da Polícia Civil. Em depoimento, confirmou ter recebido dinheiro emprestado, mas atribuiu as dificuldades financeiras ao vício em jogos de azar, incluindo o chamado Jogo do Tigrinho.

Ela afirmou que perdeu o controle das finanças e não conseguiu manter os pagamentos. Também negou ter utilizado os dados da vítima para tentar contratar outros empréstimos.

O inquérito foi encaminhado à Justiça, mas o Ministério Público solicitou novas diligências e a oitiva de testemunhas.

Marido também é citado, mas participação não está comprovada

Há ainda informações de que o marido da investigada teria dado apoio às ações atribuídas a ela. Essa possível participação deverá ser esclarecida pela Polícia Civil. Até o momento, não há elementos apresentados na reportagem que permitam afirmar responsabilidade criminal dele.

O caso expõe uma sequência de relatos graves: pessoas que dizem ter comprometido patrimônio, renda e crédito bancário para ajudar alguém em quem confiavam.

A investigação precisa esclarecer quantas vítimas existem, qual foi o valor efetivamente movimentado e se outras pessoas participaram das operações. Patrícia é investigada e, como determina a lei, qualquer responsabilidade criminal deverá ser comprovada no devido processo legal.

Quando a solidariedade vira instrumento de prejuízo, o estrago não fica apenas na conta bancária. Atinge amizades, famílias e a confiança entre pessoas que acreditavam estar ajudando alguém em situação de sofrimento.

O Gazeta Hora1 não conseguiu contatar Patrícia, mas desde já deixa reservado espaço para que ela ou seu defesa possa contestar ou esclarecer os fatos e as acusações.

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