
O que realmente pode mudar o quadro nas urnas em 2024? Em um cenário político dinâmico, a possibilidade de viradas nas capitais brasileiras durante o segundo turno das eleições municipais é o foco de debate. Segundo dados da primeira rodada de pesquisas da Quaest, em 10 das 15 capitais com segundo turno há margem para que o segundo colocado reverta a desvantagem e vença. No entanto, esse movimento varia entre as cidades, com algumas capitais mostrando mudanças claras no cenário eleitoral, enquanto outras permanecem com disputas mais equilibradas e até estagnadas.
Em Goiânia, o candidato Sandro Mabel (União Brasil) surpreende ao se aproximar de uma virada. No primeiro turno, Mabel ficou com 27,66% dos votos válidos, contra 31,14% de Fred Rodrigues (PL). Porém, na pesquisa mais recente, Mabel surge com 46% das intenções de voto, apontando para uma reversão em andamento, impulsionada por uma migração significativa de votos de Adriana Accorsi (PT), que quase chegou ao segundo turno.
Situação similar ocorre em Belo Horizonte, onde Fuad Noman (PSD), atual prefeito, superou Bruno Engler (PL), preferido no primeiro turno. Engler, candidato apoiado por Jair Bolsonaro, teve 34,38% dos votos válidos, enquanto Noman obteve 26,54%. Agora, Noman aparece com 46% nas pesquisas, enquanto Engler, que estagnou, está com 37%. Este quadro de virada clara na capital mineira indica que as alianças e a mobilização de eleitores indecisos estão desempenhando um papel fundamental.
Em outras cidades, o cenário é muito mais equilibrado, como em Fortaleza, onde Evandro Leitão (PT) e André Fernandes (PL) estão tecnicamente empatados com 43%. Fernandes, que foi o mais votado no primeiro turno, não conseguiu ampliar sua vantagem, enquanto Leitão, que obteve 34,33% dos votos válidos, cresceu consideravelmente.
Outro exemplo é Palmas, onde Eduardo Siqueira Campos (Podemos) conseguiu uma recuperação notável, após ter sido o segundo colocado no primeiro turno com 32,42% dos votos. Ele agora tem 47% das intenções de voto, superando a adversária Janad Valcari (PL), que possui 43%. Esse crescimento demonstra a capacidade de candidatos com menor expressividade inicial virarem o jogo através de alianças e de uma boa comunicação com o eleitorado.
Em Porto Velho, a disputa também está acirrada. Mariana Carvalho (União Brasil), que liderou com 44,53% dos votos válidos no primeiro turno, agora aparece estagnada com 43% das intenções de voto. Enquanto isso, Léo (Podemos), que teve apenas 25,65% na primeira fase, subiu para 42%, sinalizando uma disputa que pode ser decidida nos últimos dias de campanha.
Por outro lado, cinco capitais parecem apresentar cenários onde a reversão é altamente improvável. Porto Alegre é o exemplo mais emblemático, com o prefeito Sebastião Melo (MDB) quase vencendo no primeiro turno com 49,72% dos votos válidos. Agora, nas pesquisas, ele tem 52% das intenções de voto, enquanto sua adversária Maria do Rosário (PT) permanece com 30%.
Situação semelhante ocorre em João Pessoa, onde Cícero Lucena (PP) quase encerrou a disputa no primeiro turno com 49,16% dos votos válidos. Ele agora tem 52% das intenções de voto, enquanto Marcelo Queiroga (PL), com 25%, não demonstra força suficiente para reverter a situação.
Esse panorama, repetido em cidades como Belém, Aracaju e São Paulo, demonstra que, para alguns candidatos, a liderança conquistada no primeiro turno continua sólida e difícil de ser desafiada.
As pesquisas, realizadas após a primeira semana de propaganda eleitoral do segundo turno, trazem um retrato temporário que pode mudar nos últimos dias de campanha. A Quaest voltará a campo para realizar novas rodadas de pesquisas, e muitos desses cenários ainda podem ser alterados, sobretudo nas capitais onde as margens de diferença estão dentro do erro estatístico.
O desfecho das eleições municipais de 2024, especialmente nas capitais onde a disputa está acirrada, será um teste de fogo para as estratégias dos candidatos. Os resultados irão refletir não apenas as alianças políticas formadas após o primeiro turno, mas também a capacidade dos candidatos de mobilizar eleitores indecisos e garantir a migração de votos de adversários eliminados.
O jogo político está longe de ser decidido e, em várias capitais, a virada pode ser uma questão de dias ou até mesmo de horas. É bom lembrar que a política é dinâmica e a toda hora muda ou pode mudar. É como dizia o saudos Magalhães Pinto: Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou. E assim, são as pesquisas eleitorais.
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