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Economia IBOVESPA E DÓLAR

Flávio Bolsonaro mexe com o cenário econômico antes mesmo de chegar ao Planalto

Vantagem sobre Lula no primeiro turno provoca reação imediata dos mercados: Ibovespa supera 200 mil pontos, dólar cai mais de 4% e juros futuros despencam diante da expectativa de mudança na política fiscal

06/10/2026 às 09h02
Por: Douglas Ferreira
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Mercado sinaliza para Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA
Mercado sinaliza para Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA

Há um dado político que começa a ganhar uma dimensão econômica poucas horas depois do encerramento do primeiro turno: Flávio Bolsonaro ainda não foi eleito presidente, mas sua vantagem sobre Lula já produziu uma mudança importante nas expectativas do mercado financeiro.

O resultado das urnas, de 47,03% para Flávio contra 45,16% para Lula, contrariou boa parte das pesquisas e obrigou investidores a refazer suas contas para o segundo turno. A resposta veio imediatamente. O Ibovespa ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar despencou 4,12%, fechando próximo de R$ 5. Os juros futuros também recuaram fortemente.

Não é pouca coisa. O mercado financeiro não vota, mas reage às perspectivas que enxerga para o futuro. E a leitura feita nesta segunda-feira foi clara: a possibilidade de mudança no comando do País passou a ser considerada mais concreta. Com ela, surgiu também a expectativa de uma política fiscal mais controlada, com maior preocupação com despesas públicas, dívida e equilíbrio das contas do governo.

É justamente aí que está a força simbólica do movimento. Antes mesmo de uma eventual posse, Flávio Bolsonaro já começa a alterar o humor dos investidores. A bolsa sobe, o dólar cai e o custo projetado do dinheiro diminui porque o mercado passou a trabalhar com um cenário diferente daquele que vinha sendo precificado antes da eleição.

O Ibovespa registrou novo recorde e algumas das principais ações negociadas na Bolsa tiveram altas expressivas. B3 avançou 22,63%; BTG Pactual, 22,52%; Banco do Brasil, 11%; Bradesco, 13,57%; e Itaú, 10,37%. A queda dos juros futuros ajuda a explicar parte desse movimento, já que torna as ações relativamente mais atraentes diante da renda fixa e reduz a taxa utilizada pelos investidores para calcular o valor futuro das empresas.

No mercado de câmbio, a reação também foi contundente. O dólar caiu para R$ 5,0010, depois de chegar a R$ 4,9530 durante o pregão. A explicação passa pela percepção de risco. Se os investidores acreditam que o próximo governo poderá apresentar maior disciplina fiscal, a remuneração exigida para colocar dinheiro no Brasil diminui. Ao mesmo tempo, a procura por ativos brasileiros pode aumentar a entrada de dólares e pressionar a cotação da moeda para baixo.

É preciso, entretanto, separar expectativa de realidade. O mercado não está comemorando uma política econômica que ainda não existe. Está antecipando um possível cenário. A campanha de Flávio fala em redução de gastos equivalente a 1,5% do PIB, revisão de regras de despesas e enxugamento da estrutura do governo, com uma economia estimada em aproximadamente R$ 190 bilhões. Mas ainda será necessário apresentar os detalhes, aprovar medidas no Congresso e, principalmente, executá-las.

E é justamente nesse ponto que estará o verdadeiro teste. Expectativa produz alta na Bolsa e queda do dólar. Resultado fiscal sustentável exige muito mais: decisão política, maioria no Congresso, controle de despesas e capacidade de transformar promessa em política pública.

A reação desta segunda-feira, portanto, não significa que o mercado considere a eleição definida. Até 25 de outubro haverá debates, novas pesquisas, alianças, movimentos de campanha e, principalmente, a possibilidade de mudanças na percepção do eleitor. Uma recuperação de Lula poderá devolver parte da volatilidade aos mercados. Uma ampliação da vantagem de Flávio poderá aprofundar o movimento iniciado após o primeiro turno.

Mas uma coisa já aconteceu e não pode ser ignorada: a eleição mudou a percepção sobre o futuro econômico do Brasil antes mesmo de mudar o presidente.

As urnas colocaram Flávio Bolsonaro na frente. O mercado respondeu. Agora, cabe ao candidato transformar essa expectativa em um projeto econômico consistente, capaz de sobreviver não apenas à euforia inicial, mas aos desafios concretos de governar um País com dívida elevada, orçamento engessado e enorme pressão sobre as contas públicas.

Por enquanto, a mensagem dos investidores parece bastante objetiva: se a possibilidade de mudança política já foi suficiente para fazer a Bolsa disparar, derrubar o dólar e reduzir os juros futuros, o que acontecerá com os mercados se essa possibilidade se transformar em vitória eleitoral?

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