
Quando Franzé Silva assumiu a presidência da Assembleia Legislativa do Piauí, em janeiro de 2023, após 17 anos de domínio de Themístocles Filho, o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou finalmente ao comando da Casa Legislativa com a promessa de uma nova era. No entanto, a recente exoneração em massa de servidores comissionados, ocorrida dois dias após a derrota eleitoral do petista Fábio Novo, mergulhou a Alepi em uma tempestade de incertezas e questionamentos. Detalhes: os exonerados são todos da gestão Franzé.
A justificativa? Segundo Franzé Silva, a decisão seria uma "readequação" solicitada pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE/PI), após auditoria que recomendaria ajustes nos gastos com pessoal. Entretanto, essa versão foi categoricamente desmentida pelo presidente da Corte, Kennedy Barros. O que parecia ser uma ação administrativa de conformidade, revelou-se, na verdade, uma decisão unilateral do presidente da Assembleia, sem qualquer imposição do TCE.
O ato de exoneração, que deixou cerca de 4 mil servidores comissionados em pânico, foi divulgado sem qualquer esclarecimento sobre os verdadeiros motivos. Enquanto corredores se enchiam de confusão e o mercado via uma corrida pelo rivotril, Franzé Silva mantinha sua postura impenetrável, afirmando estar apenas cumprindo uma suposta determinação do TCE.
Mas a verdade veio à tona. Kennedy Barros, em entrevista contundente, afirmou: "O Tribunal não fez qualquer determinação nesse sentido. Servidores contratados legalmente não são alvo de recomendação de exoneração". As palavras do presidente da Corte de Contas jogaram luz sobre uma decisão que parece muito mais ligada à política do que à necessidade administrativa.
A questão que agora é: por que Franzé Silva tomou essa medida tão drástica e sem respaldo nas orientações do TCE? Seria uma tentativa de ajuste interno para manter controle após uma derrota política? Ou há algo mais obscuro nos bastidores da Assembleia Legislativa?
Franzé, confrontado com a contradição entre seu discurso e a realidade, preferiu o silêncio, recusando-se a comentar as declarações de Kennedy Barros. O que ele não explicou, porém, é como a exoneração em massa - num momento politicamente delicado - se alinha com os interesses da transparência e controle tão defendidos em seu discurso inicial.
Enquanto isso, a exoneração em massa coloca em xeque a gestão de Franzé Silva, que começou com promessas de renovação, mas parece estar se enredando em decisões arbitrárias e sem fundamento. Se a nova era do Poder Legislativo piauiense começou com a chegada do PT ao comando da Casa, a atual crise deixa claro que a gestão de Franzé Silva caminha para um perigoso precipício de desgaste e desconfiança.
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