
A falta de ética e moralidade nos bastidores de partidos políticos continua a surpreender o Brasil. Contratos milionários entre partidos e membros, dirigentes e filiados revelam uma prática que enfraquece os princípios da representatividade e do serviço público. No Partido dos Trabalhadores (PT), essa conduta se tornou padrão, criando uma classe de "petistas premiados", que não apenas usufruem de benefícios partidários, mas drenam recursos públicos e do próprio partido em prol de interesses pessoais.
Os escândalos envolvendo o PT em todo o país são numerosos. Desde os esquemas desmantelados pela Operação Topic na gestão de Rejane Dias, à frente da Secretaria de Educação do Piauí (Seduc), até as acusações contra a construtora Rosacon na atual administração, o modus operandi segue um roteiro familiar: contratos inflados com empresas de filiados, protegidos pela elite partidária.
Agora, em São Paulo, o partido volta a ser alvo de mais um escândalo. A Urissanê, uma empresa administrada por Otavio Augusto da Silva, um ex-assessor do PT e marketeiro, faturou impressionantes R$13,5 milhões nas eleições, dos quais R$10,3 milhões foram pagos diretamente pelo PT. O sócio da empresa, filiado ao partido, já ocupou cargos no gabinete da liderança na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), recebendo um salário considerável de R$ 17,5 mil em 2016.
Essa ligação estreita entre partido e negócios levanta sérios questionamentos sobre a transparência e legalidade de contratos milionários com empresas de filiados. Não há crime em firmar contratos comerciais, mas a promiscuidade entre política e negócios, onde interesses pessoais se misturam com recursos públicos e partidários, é um exemplo claro de práticas que minam a confiança pública e aprofundam o fosso da corrupção.
Chama a atenção e causa espécie a omissão da mídia nacional em investigar, apurar e divulgar esse tipo de matéria. O Diário do Poder e o colunista Cláudio Humberto tem sido um dos poucos a por em prática o princípio primeiro do jornalismo que é a fiscalização dos poderes e também dos partidos políticos sobre agora que manipulam bilhões de recursos públicos todos os anos, sobretudo, em período eleitoral.
Essa prática, recorrente em todas as esferas, não só no PT, reforça a cultura de favorecimento e impunidade, que só aumenta a percepção de que o dinheiro público é tratado como moeda de troca para recompensas pessoais e alianças políticas.
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