
A Justiça do Piauí decidiu converter em prisões preventivas as detenções temporárias dos principais investigados na Operação DF Group, atendendo a um pedido da Polícia Civil do Piauí. Com a decisão, o empresário Douglas Fonseca Araújo, apontado como líder do grupo, permanecerá preso enquanto as investigações prosseguem.
Além de Douglas Fonseca, também tiveram a prisão preventiva decretada Ícaro Teixeira de Sousa, Lucas Soares Coutinho, Eduardo Lima de Sousa, Milena Alves Torres, Viviane Alves da Silva, Caio Guilherme Campelo, Caio Fonseca Araújo e Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu. A Justiça ainda decretou a prisão preventiva de Tharsio Moura Soares de Gusmão, que é considerado foragido.
Já as investigadas Janda Maira de Sousa Silva e Vitória Gabriely Conceição Fonseca Araújo responderão ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal.
Segundo a Superintendência de Operações Integradas (SOI), as investigações apontam que o grupo é suspeito de praticar estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil afirma que o trabalho investigativo continua para identificar outras vítimas, possíveis novos envolvidos e esclarecer toda a estrutura financeira da organização.
Um dos dados que mais chama atenção é a estimativa de movimentação financeira do grupo. Com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Polícia calcula que o DF Group tenha movimentado aproximadamente R$ 100 milhões nos últimos dois anos, valor considerado incompatível com a estrutura formal apresentada pelas empresas investigadas.
Outro aspecto sob investigação é o tempo de atuação da empresa. Embora o grupo divulgasse possuir entre cinco e sete anos de mercado, os investigadores afirmam que os registros oficiais das empresas vinculadas aos suspeitos são significativamente mais recentes, o que também integra a apuração.
A Polícia Civil informou ainda que busca informações junto às autoridades do Estado de São Paulo sobre possíveis investigações envolvendo Douglas Fonseca, ampliando o alcance da apuração.
A defesa do DF Group contesta as medidas judiciais. Em nota, os advogados afirmam que a empresa está impossibilitada de operar em razão das prisões, do bloqueio de contas bancárias, da indisponibilidade de ativos financeiros e da apreensão de documentos e equipamentos. Segundo a defesa, essas medidas impediram a continuidade das atividades e inviabilizaram qualquer pagamento aos investidores.
Douglas Fonseca é apontado pela investigação como responsável por atrair investidores com promessas de rentabilidade de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com os padrões do mercado financeiro e que passou a ser um dos principais focos da investigação.
A Operação DF Group foi deflagrada pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí na última semana. Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens, apreensão de veículos e suspensão das atividades da empresa, instalada em um edifício comercial na zona Leste de Teresina.
Com a conversão das prisões em preventivas, a Justiça demonstra entender que ainda permanecem presentes os requisitos legais para a manutenção dos investigados no sistema prisional, enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações sobre um dos maiores casos de supostas fraudes financeiras já apurados recentemente no Piauí.
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