
Em meio ao tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros, uma boa notícia chegou para o Piauí. O mel orgânico, principal produto da pauta de exportações do Estado, não foi incluído na lista de itens sobretaxados.
A decisão evita um impacto direto sobre um dos setores mais importantes da economia piauiense. O Estado é o maior exportador de mel do Brasil, produz cerca de 8,6 mil toneladas por ano e movimenta aproximadamente R$ 120 milhões em exportações, tendo os Estados Unidos como seu principal comprador.
A atividade beneficia cerca de 12 mil famílias, especialmente pequenos produtores e agricultores familiares espalhados pelo semiárido piauiense. Caso o mel tivesse sido atingido pela tarifa adicional, o setor poderia enfrentar perda de competitividade justamente em seu maior mercado consumidor.
Além do mel orgânico, o governo americano decidiu preservar diversos produtos estratégicos da pauta exportadora brasileira:
- Mel orgânico.
- Café em grão.
- Carne bovina.
- Suco de laranja e laranjas.
- Petróleo bruto e gás natural.
- Aeronaves, motores e componentes aeroespaciais.
- Produtos farmacêuticos.
- Castanhas.
- Celulose.
- Peixes e crustáceos.
- Semicondutores.
A exclusão desses produtos reduziu significativamente o impacto imediato da medida sobre importantes cadeias produtivas brasileiras.
Embora o mel tenha escapado da nova tarifa, outros produtos exportados pelo Estado podem sentir efeitos indiretos ou, em alguns casos, diretos.
Entre os principais produtos da pauta exportadora piauiense estão:
• Cera de carnaúba, utilizada pelas indústrias alimentícia, farmacêutica e automobilística.
• Minério de ferro, exportado principalmente pelo litoral.
• Algodão.
• Soja e derivados.
• Milho.
• Castanha de caju, que também está entre os produtos preservados da sobretaxa.
• Couros e peles.
• Produtos químicos e minerais.
A depender da classificação tarifária utilizada pelos Estados Unidos, alguns manufaturados e produtos industriais poderão sofrer impacto, mas os principais produtos agropecuários do Piauí ficaram protegidos da nova medida.
Apesar da boa notícia para a apicultura, o cenário ainda inspira cautela. Os Estados Unidos continuam investigando outras práticas comerciais brasileiras e não está descartada a aplicação de novas tarifas sobre determinados setores.
Por isso, produtores e cooperativas do Piauí seguem discutindo estratégias para ampliar mercados e reduzir a dependência das exportações destinadas aos americanos.
No caso do mel, porém, prevalece a sensação de alívio. Em meio ao maior conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos dos últimos anos, o principal símbolo da apicultura piauiense conseguiu escapar do tarifaço.
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