
Petista que se preza parece sempre ter um sítio para chamar de seu. E não costuma ser qualquer propriedade. O presidente Lula já enfrentou questionamentos envolvendo um sítio que dominou o noticiário por anos. Agora, outro nome do PT volta ao centro de uma investigação cercada de polêmicas. O problema, evidentemente, não é possuir um sítio de alto padrão. A pergunta que chama a atenção é outra: de onde veio o dinheiro para construir um patrimônio que, segundo a investigação, seria incompatível com a renda oficialmente conhecida? É justamente essa resposta que a Polícia Civil tenta encontrar ao investigar o vereador Senival Moura, preso sob suspeita de manter ligação financeira com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade.
Segundo as investigações, Senival Moura acumulou um patrimônio imobiliário de pelo menos R$ 3,6 milhões, incluindo apartamentos em áreas valorizadas de São Paulo e um sítio considerado de elevado padrão no município de Extrema, em Minas Gerais.
O vereador foi preso na semana passada em um apartamento localizado no Tatuapé, zona leste da capital paulista. Embora tenha declarado o imóvel por R$ 820 mil à Justiça Eleitoral, unidades semelhantes no mesmo edifício são anunciadas no mercado por valores que chegam a R$ 2,8 milhões. A defesa afirma que o apartamento foi adquirido ainda na planta, por cerca de R$ 600 mil, e que sua valorização ocorreu naturalmente ao longo dos anos.
Um dos principais focos da investigação é justamente o sítio localizado em Extrema. Em mensagens interceptadas pela Polícia Civil, investigadores identificaram referências ao "presidente" e à cidade mineira. Para os policiais, "presidente" seria um dos apelidos atribuídos a Senival Moura, enquanto "Extrema" faria referência direta ao imóvel rural do parlamentar.
No relatório policial, os investigadores afirmam que a propriedade reforça os indícios levantados durante a apuração, servindo como elemento de contextualização patrimonial dentro da investigação sobre suposta lavagem de dinheiro. A defesa sustenta que o terreno foi adquirido há cerca de duas décadas e que a residência foi construída gradualmente ao longo dos anos.
Além do sítio, a Polícia Civil aponta outros imóveis registrados em nome do vereador ou ligados a ele, incluindo apartamentos na Vila Madalena, Vila Maria e Juquehy. Para os investigadores, o conjunto patrimonial seria significativamente superior ao esperado para alguém que recebe salário de vereador, atualmente em torno de R$ 26 mil mensais.
As suspeitas se inserem em uma investigação mais ampla que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião, concessionária responsável por dezenas de linhas da capital paulista e que, segundo a Polícia Civil, teria sido utilizada para movimentações financeiras ligadas ao PCC.
Diante da repercussão do caso, o próprio Senival Moura solicitou afastamento temporário do Partido dos Trabalhadores. O diretório municipal da legenda informou que o caso será analisado pelo conselho de ética da sigla, enquanto o parlamentar concentra sua defesa no processo judicial.
Até o momento, Senival Moura não foi condenado. As acusações seguem em investigação, e caberá à Justiça analisar as provas reunidas pelas autoridades e decidir sobre eventual responsabilidade criminal do vereador.
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